terça-feira, 4 de novembro de 2008

Falar com a parede

No momento eu não digo, explodo: saiofalandosempausacomoseomundofosseacabar. Aí sai um monte de coisas sem sentido, mas que me deixam menos enforcado. Na verdade eu não gosto muito de dizer. O silêncio são as palavras implícitas, e como eu não me dou muito bem com elas, prefiro guardá-las para quando tiver necessidade.
A minha necessidade agora é dormir. Dormir para esquecer, apagar, refazer, começar de novo, enfim, mais um tanto de palavras invarialvelmente prefixadas por 're'. Mas isso se deve a um cansaço mórbido que eu tenho sentido. Estou um velho de oitenta anos essa semana, embora ache que até mesmo um velhinho se sente menos cansado do que eu.
Isso se resolve com uma boa dose de paciência. Muda, oculta, que não se revela. No entanto, não é assim tão fácil, visto que tenho que me desgartar pensando, falando, sentindo, umas coisas que nem fazem tanto sentido para minha vida. Aliás, o que realmente faz sentido? Ainda não sei a resposta, mas gostaria de buscá-la: preciso ficar mais a sós com os livros.
E como estou costurando esse texto (colcha de retalhos), cada assunto puxa outro, e ponho-me a falar de livros. Ah, como queria tê-los mais em minha companhia. Porém aconteceu de um tal de relógio aparecer para eu ficar louco: tempo. É tempo marcado para tudo - inclusive ler. E os livros são menos procurados, deixados de lados, tratados como bastardos. Não, eu preciso de mais tempo para eles, nem que eu pare o relógio e viva aquele tempo meu de que sempre falo repetitivamente nos textos.
Então preciso ir, pois dormir também tem tempo certo. Daqui a pouco vou acordar, na hora certa, para mais um dia. Um dia que se levanta por essas bandas e à tardinha vai para o outro lado do mundo. Bem, antes que eu fale mais coisa, FIM.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Explosão II

C a l a r : antes que a voz acabe.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Explosão I

GRITAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR:
Se necessário.

domingo, 12 de outubro de 2008

Presente de Aniversário

Outros Outubros virão,
mas nenhum igual ao outro.
esse que passou foi singular.
Todos são assim:
vendavais de coisas.
Já tive vários,
dentre os quais me lembro de alguns,
porém não todos.
Isso de ficar velho é inevitável,
não imagino mas sei.
Imaginar é difícil,
Até para escrever tudo isso,
imaginar é preciso.
Mas em um respiro escrevo
essa palavra.
Nada de prolixidade,
nem de inconclusões.
Retrato de mim mesmo,
estou me escrevendo,
e só vim aqui para dizer-me uma coisa:
Feliz aniversário.

Anistia

Nunca escrevo sob encomenda.
Meço, desmeço, é que nem desenho,
Estou sempre a apagar palavras.
Estavam aqui agora há pouco,
Saíram de férias,
Voltaram majestosas.

Não quero saber quanto vai durar,
Se ao menos vai durar.
Mas se não durar,
Pouco me importo,
Pois não tenho compromisso:
l i b e r d a d e.

sábado, 30 de agosto de 2008

Finito (ou quase)

Este Blog faz aniversário no dia da Independência. Sete meses de digitações periódicas e "vai-e-vens" de dedos que arranham algumas palavras.
Mas ele merece morrer um pouco, não que eu queira matá-lo. Na verdade eu até quero, porém para que não soe abrupto vou deixar que morra sozinho.
Isso, no canto mais apertado da mala que carrego comigo há muitos anos. É que viajo para lá e para cá, nômade dentro de mim mesmo.
Este é um atestado de óbito literário. Literário, que pretensão. É um óbito textuário, desses que são enterrados como indigentes. As palavras ficam, mas daqui há um tempo se vão, pelo ralo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Lacuna

Não tenho palavra para gastar: dizer custa caro.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Qual o sentido (?)

Ela: Vou embora daqui, já estou de mala pronta.
Ele: Por mim tudo bem.
Ela: Como assim, 'por mim tudo bem'? Olha, se eu cruzar aquela porta você não me verá mais.
Ele: Não tem problema.
Ela: O que está dizendo, seu estafermo? Eu não te ameaço mais, estou te dizendo.
Ele: Pode partir, bon voyage.
Ela: Sabe, eu sempre achei você muito bobo. Sorrisos demais, abraços demais, palavras exageradamente doces, cigarros mentolados de marcas horríveis, LP's das bandas mais cafonas, livros de autores decadentes - nossa, tudo muito ultrapassado.
Ele: Pois é.
Ela: Não banque o fático comigo, já passamos da fase de ficar testando o canal de nossa esdrúxula comunicação. Vai, diz alguma coisa antes que eu finalmente vá daqui para nunca mais olhar esse seu semblante conformado.
Ele: Não sei.
Ela: O que é agora, deu para irritar? Ora, eu só posso ser maluca ou algo similar. Onde estou que já não fui daqui? É isso mesmo, chega de conversa. Quanto a você, não me procure. Estou morando na Rua 'x', apartamento 'y', esquina com a Rua do Nunca e no bairro dos Ninguéns. Ah, detesto você. Ou melhor, te odeio.
Ele: Pode deixar, te faço uma visita.
- Ela foi-se dali como quem foge de um martírio. Não tinha nome, identidade, não era nada. Não passava do imaginário dos que fantasiam e não sentem.
Onde posso encontrar minha objetividade?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Retorno à rotina

Publiquei hoje,
somente para mim,
meu mais precioso livro.
Relatos aleatórios,
sobre coisa alguma,
que eu ainda arrisco fazer.

Hoje também
foi um dia apático,
desses que começam cinzentos
e terminam com o habitual tédio.

Essas palavras
que aqui aparecem,
são o tempo que eu queimo,
as horas que passam
e o meu monólogo incansável.
Chega.