<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356</id><updated>2011-09-28T16:48:39.316-03:00</updated><title type='text'>Deserto da Palavra</title><subtitle type='html'>Tudo aqui é uma grande distorção temporal. Me permito intervalos, vou e volto no tempo, percorro os mundos que me permito ver. Estou longe agora, mas preso à palavra.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>85</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1738307403785539620</id><published>2011-02-20T12:04:00.001-03:00</published><updated>2011-02-20T12:09:26.668-03:00</updated><title type='text'>O retrato da degustação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando não há nada a dizer, eu me calo. Quando muitas vezes preciso dizer alguma coisa, também me calo. Se me observam com ar de reprovação e raiva, permaneço calado. Sentando no banco, nada e ninguém por perto, apenas eu calado -&amp;nbsp;silêncio comigo. Na conversa com os outros, participantes da festa verbal, estou quieto, acho que quase não me mexo. Não olho para o relógio porque os ponteiros fazem barulho, então escondo com as mãos o objeto, mas fico calado e sem qualquer expressão. Percorro os cômodos da casa, lindos e frios, primavera desflorida no cone sul, sempre tendo o maior cuidado para não macular o silêncio. Quem morava comigo está ausente, não sei para onde foram, porém imagino a beleza desconhecida e por elas respiro profundamente em homenagem singela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me faça nenhuma pergunta, meu rosto já diz tudo o que eu gostaria de dizer. Nos cômodos da casa, as coisas choram baixinho em sinal de reverência, lembrando os que outrora ali estiveram. As perguntas podem me ofender e eu sou sempre assim, de uma quietude própria da agulha na superfície. Por isso, não me pergunte nada. Passe por mim e acene, apenas exista, ou mesmo desista. Acho que sou a materialização da mudança, se agora estou assim posso estar diferente depois. Conservo minha mudez como bem precioso, fico muito bem nesses retratos de papel, deve ser porque eles não falam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu grito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De dor pela agulha que afunda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De raiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De mais raiva por não compreender certas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De desespero por não poder solucionar tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De raiva, novamente, por não aceitar a perseguição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De medo, quando vislumbro a ameaça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De medo também por perder o que se estima.&lt;br /&gt;De alegria, caso&amp;nbsp;o vento sopre em meu rosto um afago.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De horror, pois acabei de reconhecer a presença de um bicho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De tédio, quando o grito se reverte em não-som que não se propaga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando eu grito não me reconhecem, então acontece uma perturbação avassaladora. Tudo que está calmo se agita, no mar as ondas se precipitam contra o litoral, no céu as gaivotas voam em V prenunciando a ausência de chuva, na outra metade do planeta uma bomba está caindo sobre casas,&amp;nbsp;&amp;nbsp;ou uma família sobrevive com um menos de um dólar. Fico perplexo com a pseudo-consciência, com quem quer discursar sobre qualquer coisa e tenta ter um comportamento à parte. Assim eu grito novamente, grito uma agressão muda e enojada, um murro gelado e duro, me transformo na coisa glacial - assim ignoro, muito profundamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou aprendendo a falar, saber o que dizer e para quem dizer. Minha paz é muda, mas somente ela não basta, ela não é suficiente, não significa nada. Enquanto eu apenas disser, nada será resolvido. Quero apenas uma visão aguçada e um faro supersônico, para poder enxergar também no escuro e percorrer todo tipo de caminho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1738307403785539620?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1738307403785539620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1738307403785539620&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1738307403785539620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1738307403785539620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2011/02/o-retrato-da-degustacao.html' title='O retrato da degustação'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-216445879629763366</id><published>2011-01-17T22:13:00.008-02:00</published><updated>2011-01-29T19:17:05.718-02:00</updated><title type='text'>O corpo do bicho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Procurei instintivamente por uma saída. Estávamos a sós, eu e o bicho, as paredes brancas muito resolutas, hermeticamente anguladas em noventa graus. O sol que entrava pela janela refletia toda a brancura do mundo, e por instantes tornei-me cego. Usei o tato para me locomover, eu bicho gente que busca sobrevivência. Esse lugar inóspito é um quarto, e quando alcanço o sapato dele me armo e vou em direção ao bicho. Não sei se voa, se anda, ou se rasteja para de mim se defender. Olhos fechados, eu me defendo, desfecho um golpe, certeiro e fatal: som de exoesqueleto esmagado em pureza branca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Não consigo sair do lugar, meu braço permanece imóvel e inerte segurando a parede, como se a qualquer momento ela pudesse cair. Deus, tenha de mim muita compaixão, o que acabo de cometer agora é um assassínio. O barulho da pancada vibrou reverberante, senti em cada fibra um estalo de convicção: eu matei o bicho. Eu o matei com precisão, dolosamente, ataque misericordioso. Peço então misericórdia, pois no momento em que matava o bicho senti percorrer meu interior uma sensação maravilhosa. Poder indescritível, alívio, satisfação. Estou me livrando de alguém, perdoe-me - do outro lado do mundo nascem milhões de bichos, secretamente interrompo a cronologia em nascer-crescer-envelhecer-morrer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Puna-me, puna-me, regozijo-me com a morte, a morte daquele que nem ao menos conheço. Quando cometo o crime transfiro para o bicho uma grande raiva sentida por mim mesmo. Já perscrutei o vazio do branco e ingressei pelo desconhecido. Já me senti limitado e desnecessário, senti raiva, escrevi bilhetes sem destinatário pelo simples prazer de guardar na gaveta e me surpreender. Pensei que se soltasse a parede talvez ela caísse sobre mim e o cadáver do bicho comigo se fundisse. Então sentiria nojo sob escombros, e uma luz assustadoramente se acenderia revelando a fusão imprópria das matérias desencontradas. Sinto nojo absoluto, para falar a verdade o que sinto é uma repugnância extrassensorial. Porque agora estilhaçados pedaços do bicho se espalham no cosmos, e sei que se soltar de fato a parede pode bater algum vento e sobre mim lançar fragmentos de corpo. Arrepio-me por inteiro com essa hipótese, mas no fundo me encanto com meu instinto predatório.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Quero forças para largar a parede, que seguro através de um braço que não é mais meu. Será que o bicho está de mim tomando posse, a ponto de fazer-me vítima de sua aproximação indesejada? Quando desferi o golpe ondas de calmaria me inundaram e senti vontade de levitar. Agora nenhum outro bicho me tiranizaria, sou invulnerável. Somos: eu e o sapato. Penso na possibilidade de beijar o sapato, a arma, de manter sua existência salvaguardada em meu canto de adoração. Tento recobrar a consciência, vejo que estimo uma toda glória que logicamente mereço. Eu matei o bicho, piedade de mim que me vanglorio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Vou largar a parede. Quero momentos de surdez para recuperar o trauma que é o barulho de um morto-quase-morrendo. Quero também ouvidos limpos, a satisfação da morte benéfica: som dilacerante do bicho, que agora é ex-bicho falecido na superfície. Gradualmente me afasto, ainda horrorizado, ainda anestesiado pelo torpor da missão cumprida. Olhos fechados, medo do branco, e se houver a vingança dos outros bichos? Acaso este se mantém no mesmo lugar, resignado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Não sei. No fundo não quero saber. Tateio um pouco o chão, sinto maciez, respiro contentamento de ar puro em direção aos brônquios. Sento, olhos ainda fechados, corpo pesado gravitacionalmente exposto. Desconheço o tempo, tudo acontece de forma translúcida e etérea. Estou deitado, rosto virado para a parede oposta à cena do crime. Deitado, em um quarto empedrado e branco, dentro do apartamento no prédio de uns altos andares. Tranquilamente, às três da tarde, mês de janeiro – auge do verão: corpo de um bicho pousado sobre a cama.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-216445879629763366?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/216445879629763366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=216445879629763366&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/216445879629763366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/216445879629763366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2011/01/o-corpo-do-bicho.html' title='O corpo do bicho'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-5198923098524060224</id><published>2010-12-29T12:56:00.000-02:00</published><updated>2010-12-29T12:56:42.857-02:00</updated><title type='text'>O que quero ou penso querer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Escrevo para me isentar de alguma coisa ou de alguém. A verdade é que muito do que escrevo revela mais sobre mim do aque aquilo que falo, então de certa maneira tudo se torna um tanto translúcido. Minha fala&amp;nbsp;é complicada demais aos ouvidos simplórios, soa líquida e às vezes um pouco ácida. Não estou acostumado a agitações e quando me agito sou tomado por enromes perturbações que me deixam amortecido, e me desconheço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho receio de perder minha companhia porque ela me agrada, no fundo tenho muita estima por aquilo que vivo por dentro, matéria indecifrável quantificada&amp;nbsp;por cálculos absurdos. Me apego muito facilmente ao silêncio embora goste de falar e o faça um pouco freneticamente. Por isso, pergunto ao interlocutor o que ele acha, o que pensa, volta e meia recebo confirmações de que deveria ter me calado ou dito apenas alguns monossílabos, seria até melhor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou precisando de férias, férias de muita coisa, intervalo de tempo preenchido por espaços aproveitáveis. Recuperaria minha sobriedade e meu olhar distante que enxerga tudo minuciosamente perto. Lavaria minha fúria, a que me faz querer atacar o outro e atingí-lo em seu âmago. Exploro sem medo essas cores incontroláveis porque durante meus momentos de profundidade apenas eu estou comigo, ninguém ousa partilhar de minha companhia, sou minha coisa inexplicável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portanto, desejo um porvir que me esclareça o que ainda não soa claro. A luminosidade não incomoda meus olhos, pelo contrário, ela me ajuda a enxergar quando preciso, quando não preciso apenas fecho meus olhos e sinto a claridade que me entranha. Portanto, desejo ser um híbrido de fênix e esfinge - continuo desafio, quase indecifrável, porém me regenero e consigo, com habilidade e paciência, descobrir quantos lados tem o meu prisma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-5198923098524060224?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/5198923098524060224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=5198923098524060224&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5198923098524060224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5198923098524060224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/12/o-que-quero-ou-penso-querer.html' title='O que quero ou penso querer'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-5123321136784388126</id><published>2010-11-22T20:41:00.001-02:00</published><updated>2010-11-22T20:46:43.745-02:00</updated><title type='text'>Por detrás dos panos alinhavados e sobrepostos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Peguei-me escrevendo cartas a alguém desconhecido. Na verdade, esse alguém eu conheço muito bem, mas tenho medo de identificá-lo porque isso comprometeria o pacto que firmei comigo mesmo. Se eu revelar a mim para quem estou escrevendo, minha mão congela instantanemente e a carta se apaga, sozinha e ligeira. Resultado disso seria não escrever a esse alguém, justamente quem eu quero muito que leia tudo aquilo que tenho a dizer. Porque saem escritos todos os sons que produzo, mesmo que não representados da forma mais adequada. Estão impregnados no papel não apenas sons, mas as muitas imagens pintadas a tinta de caneta ou máquina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando escrevo sem nenhuma pista sou capaz de reconhecer que se aproxima uma enorme batalha. Não haverá sangue, nem mortos, nem feridos, apenas eu frente a um jogo de espelhos. Escondo o rosto entre as mão porque não quero ficar horrorizado. Quero apenas imagens de mim muito externas, que se reflitam nos espelhos e produzam cores cegantes e barulhos ensurdecedores. Dentro de meus olhos fechados procuro sentidos às coisas sem necessariamente ter a obrigação de assim fazê-lo. É aí que abro meus olhos e conheço o mundo, pois já não há mais espelhos e tão somente eu, porém luminosos espectros que são outros, outrem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se escrevo delimitando aquilo que quero, busco a companhia dos dicionários de várias línguas porque me dão coragem para mergulhar em letras espalhadas. Vejo verbetes e definições muito bem arrumados, com primor de orquestra, na página extensa e rasa. Raso que para mim há de se tornar profundo, fundura vertical de abismo que se encontra em significados. Pego minha tesoura, recorto tudo aquilo que posso, espalho sobre o papel branco e brinco de quebra-cabeças. A página despedaçada é metáfora de mim, que estou mutilado, e no entanto ficarei completo com o auxílio de pincel e cola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente, a agulha da vitrola despedaça o disco, a música para, param os ventos que bagunçam as cortinas. Eu fiquei todo esse tempo imóvel, ali naquele espaço, rodeado de espaços vazios que se preenchem com sons de pequenas coisas. Coletei ruídos muito&amp;nbsp;sensíveis, anotei tudo de forma organizada, agora ponho-me a decorar de uma vez só que é para economizar o tempo. Tempo: captei muito bem este som, batidinha aguda e quase surda, moradora dos recôncavos desconhecidos da cavidade auditiva. Ao se chocar contra mim, este som chamado tempo adentra as reentrâncias corporais e acelera a caminhada que se chama envelhecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se agora escrevo cartas a quem não conheço é porque careço de espectadores aos meus eventos que afetam toda uma realidade. Minha intenção não é alterar o curso das coisas, desviar os eixos das linhas que conduzem os fatos. O que eu quero é muito mais amplo do que isso, pois pretendo, talvez inconscientemente, modificar estruturas moleculares, de forma muito profunda - e quem sabe, então, quantificar o peso de cada um e a composição mais biótica que habita&amp;nbsp;aquilo que chamamos de corpo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-5123321136784388126?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/5123321136784388126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=5123321136784388126&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5123321136784388126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5123321136784388126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/11/por-detras-dos-panos-alinhavados-e.html' title='Por detrás dos panos alinhavados e sobrepostos'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-5692052058422278242</id><published>2010-11-08T17:13:00.001-02:00</published><updated>2010-11-08T17:27:43.729-02:00</updated><title type='text'>Dziewięćdziesięciokilkoletniemu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quem vos escreve está em toda parte ao mesmo tempo, em todos os retratos, estampado com timidez nas costas do papel em branco. Quem vos escreve tem a aspereza da lixa encarregada de polir a matéria bruta. Nas horas de pânico, quem vos escreve é o que há dentro do tronco da árvore morta, quem vos escreve quando está em pânico é porque precisa dizer algo com muita urgência sem usar a verbalidade dos sons internos (tum-tuc-tum-tuc).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem vos escreve precisa de caminhos que não levam ao paraíso, mas que se perdem como que infinitamente por dentro de quem vos escreve. Quem vos escreve tem som de agressão instrumental, de cordas rompidas e atadas com nós. Quem vos escreve ﻿aprecia contagens exorbitantes e tem uma paixão muito secreta por números, sequências e circuitos - não reveladas porque quem vos escreve tem medo de perder-se em dado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se algum dia perguntarem sobre quem vos escreve, diga que há um bilhete em cima da cômoda ao lado do criado-mudo. Nesse bilhete, quem vos escreve vos escreveu que, por mais que se pergunte, não há resposta, e por mais que não se responda, mais há que se acrescentar ao que supostamente já está encerrado. Afinal, o que foi dito por quem voz escreve é pura propagação de sons que não se repetem e que&amp;nbsp;percorrem caminhos curvilíneos, labirintos&amp;nbsp;- imaginação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-5692052058422278242?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/5692052058422278242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=5692052058422278242&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5692052058422278242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5692052058422278242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/11/dziewiecdziesieciokilkoletniemu.html' title='Dziewięćdziesięciokilkoletniemu'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-4710329635409953175</id><published>2010-11-08T16:49:00.001-02:00</published><updated>2010-11-08T16:56:59.272-02:00</updated><title type='text'>A menina que enxerga com outros olhos ou Só se vê bem com o coração</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minhas pernas não conseguiam acompanhar o ritmo da corrida que&amp;nbsp;em meu interior&amp;nbsp;se estabelecia. O desencontro dos movimentos tornavam-me surda, a ponto de não ouvir mamãe gritar por mim do portão. Poderia eu perder mais algum dos meus sentidos? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O vento soprava como um fole que aviva a lareira. Era quase verão, a rua muito vazia, só minha, nem o cachorro latia. Eu queria abraçar o sol e suas brisas aquecidas, com tonalidades que jamais poderia imaginar. Dentro de minha cabeça de silêncios eu imagino todas as coisas possíveis com a intenção de entender o que são as imagens. Sonho com o que é impreciso, com as partes de meu corpo que por minhas mãos são conhecidas, sonho barulhos inteiros e entrecortados, sonho com a rua porque dela consigo o tato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto à minha corrida, sinto que sou apressada e preciso ganhar esta aposta. Há um milhão de eus que me empurram de volta ao portão, mas esse eu que é de fibra e matéria viva é mais forte que os outros, então sem conhecer os dentes eu sorrio. Sorrio e sinto que uma coisa doce vem à boca, é a quentura de fora com o frio de dentro, o frio da saliva aquosa -&amp;nbsp;agora quase seca porque o vento bate. Engulo uma quantidade enorme de ar e percebo que sou&amp;nbsp;o balão que flutua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ai, queria eu imaginar o que é o rosa, o amarelo, o laranja, mamãe disse que são cores de quentura. Minhas pernas queimam, eu inteira queimo, mas queimo em fogo brando porque é fogo de satisfação. Estremeço em cada parte pois sei que estou levitando, eu que apenas percebi o pássaro com as pontas dos dedos. Tenho asas agora, tenho plumas e penas e asas, sou toda levitação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De volta ao solo, no mesmo percurso, um pouco já fatigada (porém sorridente), ensaio o próximo passo - só que alguém me puxa pelo braço: são as mãos de mamãe. Reconheço, por fim, que está acabando mais uma tarde de verão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(cigarra canta)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hora de entrar em casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-4710329635409953175?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/4710329635409953175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=4710329635409953175&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/4710329635409953175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/4710329635409953175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/11/menina-que-enxerga-com-outros-olhos-ou.html' title='A menina que enxerga com outros olhos ou Só se vê bem com o coração'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-4424555349182162065</id><published>2010-10-09T23:44:00.004-03:00</published><updated>2010-10-09T23:50:32.781-03:00</updated><title type='text'>Presente de si-para-si</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Festejou-se o aniversário de um homem muito modesto. E apenas no final do banquete é que se percebeu que alguém não tinha sido convidado: o festejado.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Anton Tchekhov&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me lembro de ter preparado nenhuma festa. Quando cheguei estava tudo armado e eu jamais soubera de qualquer comemoração. Disseram ser meus amigos, mas não os identifiquei em minha memória. Recebi abraços e apertos de mão, todos vinham falar comigo mecanicamente (como em um ensaio)&amp;nbsp;e desejar felicidades; então resolvi esboçar no rosto um sorriso permanente, pálido&amp;nbsp;e entreaberto. Sim, seria uma escapatória, já que esperavam meu aval para atacar a mesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acredito que a comida era a aniversariante. Fizeram com que me sentasse próximo&amp;nbsp;ao bolo, como se eu fosse um enfeite. Fiquei constrangido com certos olhares, pois alguns dos presentes já começavam a emitir sons estranhos e a roer os próprios dedos. Achei melhor inaugurar a&amp;nbsp;comilança, fato que foi o estopim da festa. Não tinha música, não bateram palmas, não cantaram parabéns. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sinfonia dura e áspera vinha das bocas que mastigavam e trituravam com voracidade. Uma balzaquiana gorda comia muitos docinhos, todos quase simultaneamente.&amp;nbsp;Um&amp;nbsp;rapaz aflito devorava pastéizinhos e seu barulho era de boi (agudo) no matadouro. Um jovem simpático, parecendo ser um desses aprendizes de escritório, filtrava o refrigerante em ritmo alucinado enquanto segurava um saquinho de pipoca. O destaque, porém, ficou com a mulher alta de sapatos alaranjados: ela segurava cachorros-quentes em suas mãos enquanto sorvia com canudos os refrigerantes de três copos. Ao mesmo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Considerei tudo muito frenético e intenso, e por um instante pensei estar vendo miragens. Abri e fechei meus olhos diversas vezes, no entanto o que eu via eram mesas postas virando farelo, pessoas que eu jamais vira antes celebrando agora&amp;nbsp;a deglutição hipnótica e desenfreada, em uma festa que supostamente era para mim. Aquilo me deixou em pânico, e desejei&amp;nbsp;com muita força que todos eles sumissem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não havia música, não bateram palmas, não cantaram parabéns. Levantei-me de onde estava, abri a porta da sala, fechei e abri os olhos como quem busca forças, as mesas virando farelo. Puxei pessoas pelo braço, empurrei muitas outras, derrubei pipocas no chão. Eu todo era um grito muito represado, minha voz sairia supersônica se eu ousasse articular alguma palavra. Empurrei todos para fora, provoquei indigestões múltiplas, eu que não havia digerido nenhuma daquelas presenças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No final das contas, sala vazia, farelos, pratinhos, guardanapos, copos usados, balões murchando. As letras de papel diziam "feliz aniversário", e vê-las me deu tamanha cólera que eu corri para arrancá-las da parede. Os convidados já se foram, comigo estão apenas os presentes. Fiz um amontoado, joguei tudo no lixo. Peguei a escada do prédio, subi com uma pressa nunca antes vista em mim. Na cobertura, um vento muito frio que se repete anualmente, esses eu contabilizo muitíssimo bem. Sentei no parapeito, pernas pendendo no ar, braços fixos prevenindo uma queda. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse instante,&amp;nbsp;o vento me deseja toda a felicidade do mundo com&amp;nbsp;um abraço. Gotinhas de orvalho trazidas pela brisa retiram-me as impurezas, e sinto como se no momento recebesse o mais valioso dos presentes:&amp;nbsp;a capacidade, ano após ano, de&amp;nbsp;tornar-me novo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-4424555349182162065?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/4424555349182162065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=4424555349182162065&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/4424555349182162065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/4424555349182162065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/10/presente-de-si-para-si.html' title='Presente de si-para-si'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-916355065688757785</id><published>2010-09-21T20:41:00.001-03:00</published><updated>2010-09-21T20:42:07.927-03:00</updated><title type='text'>Znajneprekryštalizovávateľnejšievajúcimi</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um ato de completa distração, deixei que meu braço batesse no cristal mais adorável de minha estante. Não pude fazer nada, nem mesmo um gesto no momento, também não havia necessidade. Senti que estava amortecido pelo pânico, visto que&amp;nbsp;o cristal estava ali, sublimado por todo o carpete. Só mais tarde fui perceber que cada pedacinho era uma letra que colei no alto deste texto; mando imediatamente pelo correio a um destinatário que só sendo feito&amp;nbsp;de prismas por dentro pode decodificar o que quero dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A propósito, o título significa "os mais anti-cristalizantes", em língua eslovaca.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-916355065688757785?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/916355065688757785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=916355065688757785&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/916355065688757785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/916355065688757785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/09/znajneprekrystalizovavatelnejsievajucim.html' title='Znajneprekryštalizovávateľnejšievajúcimi'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-8762505752240123740</id><published>2010-09-21T19:55:00.003-03:00</published><updated>2010-09-22T17:48:29.942-03:00</updated><title type='text'>Noir désir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;﻿Se eu não morasse naquele edifício, o tédio seria um de meus alicerces. Assumo imponente a postura de quem vive no último andar, pois sei que até mim apenas os corajosos irão se dirigir. Tenho no rosto uma expressão mastigada, um ar &lt;em&gt;blasé&lt;/em&gt; que não me abandona. Já tentei me encontrar abandonado, mas em minha mente aparecem palavras que definem como estou agora, e escrevo porque penso em pular da janela para ver como caio lá embaixo. Sim, porque se me permitem, estudo a Física dos movimentos e analiso a velocidade média do corpo que se choca contra o cimento. Há probabilidade que eu quebre minhas pernas ao pular de pé, do contrário eu seria apenas a pressão que o ar exerce naturalmente sobre as coisas. Aqui, deste meu andar, apenas meu, exerço uma pressão magnânima sobre os transeuntes. Se atirar friamente um copo d'água, dificilmente obterão minha sentença de culpado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É agora que entro pela sala e lá está ele, confortavelmente sentado em meu sofá antigo, porém conservado. Observa atentamente minha televisão não muito grande, na qual passa um filme. Meu papel de parede está se descolando, e muito chocado com essa constatação (&lt;em&gt;à bout de souffle&lt;/em&gt;), arrumo um pretexto para alisar, abraçar&amp;nbsp;as paredes e encostar-me a elas. Apoio-me como quem está de partida, prendo-as em mim como a recordação mais longínqua e importante. Ele, no entanto, é a estátua que eu não quero para decorar minha sala. Pego um chá, muitíssimo quente e verde, ardente abridor de narinas isentas, e sento-me no sofá ao lado dele. Somos dois estranhos, agora dois, no último andar do edifício de apartamentos. Já que estudo Física, talvez fosse interessante que eu o atirasse pela janela, a fim de ver como seria sua colisão com o solo. (Observo as forças da natureza e em minha mente maquínica projeto vetores que a mais capaz das máquinas não projetaria em partículas muito pequenas de segundos)&amp;nbsp;Antes disso, pois, eu levitaria firmemente com meu chá, quente e verde, bonito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Digo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu poderia abrir minha boca e dizer milhares de coisas. Porém, como estou cansado, tendo a falar o menos possível, degusto o sangue metálico das palavras mordidas. Contenho um fluxo de informações enorme, para que não me confundam com a máquina e tentem retirar-me do topo deste edifício de apartamentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que você pretende fazer a partir de agora? - rebate ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Minha sincera vontade é arremessar você daqui, bem deste topo altíssimo de quase-Olimpo, mas acho que não posso. Já percebeu a força que eu faria ao levantar seu corpo? Só com isso já desmancharia, pois como vê, sou feito de areia. Esqueceram de pôr em mim uma liga de coisas sólidas, talvez porque isso me retiraria os movimentos -&amp;nbsp;sem os quais não vivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Então sou muito importante. Sou a palavra que faltava, o suspiro não dado e o compromisso inadiável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levanto despreocupadamente, vou à varanda, de lá o chamo. Ele vem ao meu encontro e, lado a lado, olhamos para a rua, onde pessoas são pontos e&amp;nbsp;de onde se olha para cima sem jamais descobrir de onde veio a água. Após alguns minutos, recuo, ele não entende, e com a força mais repentina, eu o precipito de lá, parapeito abaixo, e imediatamente um sorriso genuíno brota em meu rosto de expressão mastigada. Entro, vou direto ao sofá, procuro o chá mas ele já não existe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Interfonam para mim:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Foi daí que caiu um&amp;nbsp;corpo&amp;nbsp;líquido? Porque há alguém muito indignado por se molhar quando não há chuva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Desculpe, - digo - acho que sem querer&amp;nbsp;derrubei meu chá. Precisa de alguma ajuda?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Acho que não, alguém já abriu um guarda-chuva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Volto para a sala e termino de assistir ao filme.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-8762505752240123740?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/8762505752240123740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=8762505752240123740&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8762505752240123740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8762505752240123740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/09/noir-desir.html' title='Noir désir'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6423872680619477678</id><published>2010-09-16T20:53:00.003-03:00</published><updated>2010-09-16T20:59:35.089-03:00</updated><title type='text'>Abrir o dicionário na página tal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #783f04;"&gt;exercícios de escrita&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Feliz&lt;/strong&gt; entrou o &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt; (branco feito &lt;strong&gt;sal&lt;/strong&gt;) pela &lt;strong&gt;porta&lt;/strong&gt;. Devotado, acreditava ter um &lt;strong&gt;carma&lt;/strong&gt;: a &lt;strong&gt;asma&lt;/strong&gt;. No aniversário do filho, comprou &lt;strong&gt;pente&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;bola&lt;/strong&gt;, tudo com ajuda da &lt;strong&gt;nora&lt;/strong&gt;. Como quem carrega uma &lt;strong&gt;coroa&lt;/strong&gt;, deixou de ser o que sempre&amp;nbsp;&lt;strong&gt;presenteia&lt;/strong&gt; com &lt;strong&gt;rato&lt;/strong&gt; de pano.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atravessar a porta poderia ser um fardo pesadíssimo para quem tem pulmões cansados e a vista curta. Logo ele, homem dos seus sessenta e poucos anos, aposentadoria modesta. Logo ele, que passava horas na fila do INPS, batendo papo e&amp;nbsp;chorando os anos de serviço mal compensados. Pois estava, pente e bola na mão, defronte do filho, que olhava irrequieto e extasiado&amp;nbsp;os objetos. Veja só, que agradável: agora tinha com que se pentear (e ficar mais bonito para a esposa) e se distrair (nos horários em que a felizarda estivesse ausente). Chega de trinta e poucos anos ganhando ratinhos de pelúcia (&lt;em&gt;Mickeys&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Mouses&lt;/em&gt; e seus derivados), já estava mais do que na hora de um presente digno! Logo ele, filho tão atencioso, que desde a infância vivia com o pai e&amp;nbsp;amava a esposa e os filhos ainda não tidos, merecia boa recompensa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só não sabia que, por trás da pelúcia, durante trinta&amp;nbsp;e poucos anos, o pai&amp;nbsp;fora duplo: balconista e&amp;nbsp;operário em fábrica de brinquedos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Não consigo pescar, estou uma &lt;strong&gt;arara&lt;/strong&gt;!", disse ele (nervoso) sobre o &lt;strong&gt;cardume&lt;/strong&gt; fugidio que dançava pelo &lt;strong&gt;mar bravo&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;mar azul&lt;/strong&gt;, cuja &lt;strong&gt;vista&lt;/strong&gt; lembrava o mais amplo e múltiplo &lt;strong&gt;prisma&lt;/strong&gt;. "&lt;strong&gt;Certas pessoas&lt;/strong&gt; não conseguem enxergar as &lt;strong&gt;coisas boas&lt;/strong&gt;", comentaram &lt;strong&gt;meus amigos&lt;/strong&gt; já consternados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com tanta natureza em volta, ele tinha justamente que se deter nos peixes, os quais jamais cederiam às suas expectativas de fome. Sim, porque acabara a comida (e vara de pescar não tinha), a água já não existia e tudo secava. Ele e meus amigos, pensativos pelo horizonte, terra não vista. Todos perdidos, todos cor de âmbar, todos quase-partes do oceano: amiga X era a ponta do coral, amigo W um pólipo anêmico, amiga Q uma moreia exposta, e ele, ah, insistentemente a esponja bipartida. Eu aqui, com toda minha onisciência, posso dizer o que acontecerá. A mim foi concedida a visão periférica, ver para frente porém fixando o entorno. Portanto, sei que estão no naufrágio, sei que são quase-partes do oceano, sei que a fome chega e a sede aperta. Acalmem-se, amigos, está perto de se ver apenas água, até não mais findar. O barco afunda, e com ele finda esta narrativa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6423872680619477678?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6423872680619477678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6423872680619477678&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6423872680619477678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6423872680619477678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/09/abrir-o-dicionario-na-pagina-tal.html' title='Abrir o dicionário na página tal'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7789583259844210268</id><published>2010-09-07T17:45:00.001-03:00</published><updated>2010-09-07T17:47:54.897-03:00</updated><title type='text'>Peguei a faca, cortei o soneto, caiu no chão, virou uma prosa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu poderia começar um texto&amp;nbsp;de forma extremamente metafórica, mas não o farei. Optei pela coisa hermética porque com ela me dou muito bem, às vezes. Se me encontro aqui, hermético, tratarei de ser breve, pois minha luz está acabando e em mim soa um toque de recolher interno. Já arrumei todas as gavetas, fechei as portas dos armários, cerrei todas as reentrâncias do apartamento. Quando a gente vai se mudar acontece de querermos vedar todas as lembranças de nós em nosso antigo recinto, para o outro morador não nos tirar das paredes e do assoalho. É o que faço, com extrema paciência e sabedoria, porque venho aprendendo muito com o tempo e a pressa só me faz mal. Gosto muito de mastigar a comida pelo menos cem vezes, com leveza de pasto, porque ao chegar ao meu estômago, dela restarão apenas moléculas. Essas moléculas entrarão por dentro de mim fazendo fila indiana, eu que sou congestionado pelo ar que me sobe através das narinas. Há muito desaprendi a olhar o relógio devido&amp;nbsp;à minha ânsia tremenda em saber quantas moscas faleciam em milésimos de segundo, quantas pessoas respiravam o mesmo ar e eram invadidas por moléculas ou&amp;nbsp;partículas, vida microscópica que me deixava noites sem dormir tentando quantificá-la. Se agora estou aqui, coletando as palavras de que preciso para escrever, só consigo porque não vejo que o tempo passa. Ele inevitavelmente está correndo, embora eu tenha sonhado inúmeras vezes com sua parada, seu desejável estacionamento que me permitiria preservar pessoas, fotografar momentos, escrever poesias a quem de mim se afastasse. Não consegui fazer tudo isso, mas não me arrependo, já que agora posso falar muito melhor sobre as coisas. Adquiri uma isenção enorme, e de mim escapo como quem foge de um incêndio. Talvez eu arda por dentro, talvez seja frio como um deserto de gelo, não sei, preciso respeitar o toque de recolher.&amp;nbsp;A lâmpada que me serve está&amp;nbsp;queimando, tenho que terminar. Ouço a sirene, vocês não ouvem?, devem estar surdos, mas há um alarde tremendo que prenuncia: meu navio acabou de ancorar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7789583259844210268?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7789583259844210268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7789583259844210268&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7789583259844210268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7789583259844210268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/09/peguei-faca-cortei-o-soneto-caiu-no.html' title='Peguei a faca, cortei o soneto, caiu no chão, virou uma prosa'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3992469696567852401</id><published>2010-08-31T18:51:00.001-03:00</published><updated>2010-08-31T18:56:38.304-03:00</updated><title type='text'>Anonimato</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tirou da bolsa um cigarro e logo depois um isqueiro. Acendeu o cigarro e colocou-o na boca, preenchida pelo&amp;nbsp;batom escarlate de anteontem. Saíra de casa determinadíssima, porém um tanto cansada. Desde pequena cansava-se com facilidade,&amp;nbsp;diziam-na que já&amp;nbsp;nascera velha. Às vezes, nem uma gente muito velha tinha o cansaço plúmbeo dela, que andava arrasatada feito a fumaça que agora se desvencilhava dos lábios.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sua bolsa preta era um pouco antiga. Estava gasta, sem um dos fechos, entreaberta. No corpo, um roto vestido preto de bolinhas brancas, velado em parte por um cardigã preto acinzentado de poeira. Sua pele também era acinzentada: talvez fosse o cigarro, talvez a velhice. Se agora estava sentada à beira de uma encosta é porque descobrira o tempo. Quantas voltas de ponteiro ela não havia contabilizado em suas andanças, ela agora ali esquecida, quase sólida como o cimento que revestia o piso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cigarro estava acabando, ele era sua ampulheta. Levantou-se silenciosamente, caminhou um pouco pela beirada, fez-se equilibrista enquanto o vento levantava um pouco o vestido, revelando pernas de mármore e&amp;nbsp;forro descosturado. Ai, a moça cinza, muito antes tão branca, agora uma estátua salina quase petrificada. E pétrea, linda e&amp;nbsp;misteriosa ela degusta o fim de seu cigarro, cuja fumaça negra enamora os brônquios.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bateu um vento que a levou, leve feito papel. Falta dela não sentiram, por seu nome não chamaram. Sinto um cheiro de naftalina, vou&amp;nbsp;para onde&amp;nbsp;ela estava. Não acendo cigarro, respiro ar puro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aterraram aquilo tudo, no lugar fizeram uma praça. Nela há cimento das minhas próprias andanças.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3992469696567852401?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3992469696567852401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3992469696567852401&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3992469696567852401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3992469696567852401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/08/anonimato.html' title='Anonimato'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-744515438936059943</id><published>2010-08-11T16:11:00.002-03:00</published><updated>2010-08-11T16:12:36.228-03:00</updated><title type='text'>Nota!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certamente Janeiro é&amp;nbsp; o mês mais produtivo para mim. Aqui nessa terra costuma fazer calor, mas eu me coloco de uma maneira tal que ele até se esquece de passar por mim. Sim, sinto que esquenta, às vezes mais do que deveria. Só que a essa época do ano ainda não existo, porque vou brotar na estação vindoura. Deserto, sou teu oásis, brinda minha chegada com tempestades de areia. Estarei aqui em breve, dormirás embalado&amp;nbsp;por histórias a partir de então.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-744515438936059943?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/744515438936059943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=744515438936059943&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/744515438936059943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/744515438936059943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/08/certamente-janeiro-e-mes-mais-produtivo.html' title='Nota!'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-8722904280134891996</id><published>2010-08-11T16:04:00.000-03:00</published><updated>2010-08-11T16:04:03.004-03:00</updated><title type='text'>Dorme e perde as pernas no sonho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolvi sair e caminhar um pouco. A tarde de chumbo não é mais densa que a poeira&amp;nbsp;acumulada nas minhas juntas. Alguém disse que ficar em casa demais faria com que eu envelhecesse, e isso me tornaria obsoleto ao meu tempo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abri a janela, já meio emperrada, e de súbito um vento fortíssimo invadiu tudo, muito pleno e vigoroso. Acho que nunca respirei tanto; senti minhas narinas dilatadas, frescas, com aroma de nada, que é o céu perto do vigésimo andar do edifício onde me encontro, nesse apartamento isolado. O ar limpou meus pensamentos, fui vasculhado por moléculas que não reconheço e que a essa altura já teriam realizado trocas gasosas muito complexas. Na hora em que eu respirava freneticamente ainda de olhos fechados, estático, me veio à cabeça pular a janela, verificar se a brisa me levaria adiante, em um voo de pássaro sem rumo. Senti que em mim rangia uma sinfonia magnânima, atestando que estava em espaço e tempo determinados. (A sinfonia faz tum, tuc, tum, tu tu, tum, tum tuc, tuc.) Respirei sem esforço, os movimentos de inspiração e expiração ficaram perfeitamente involuntários, nesse momento&amp;nbsp;eu poderia flutuar como uma bolha transparente e límpida, redutível a um simples estouro. Se sangue tinha, agora&amp;nbsp;o ar preenchia veias,&amp;nbsp;artérias e capilares, e&amp;nbsp;eu me sentia anestesiado, leve; se&amp;nbsp;meu destino fosse&amp;nbsp;cair de um precipício eu cairia muito feliz. Tentei abrir os olhos, quase consegui, no entanto a única coisa que fiz foi subir no parapeito da janela, um pouco trôpego, ainda coberto por muito vento. Com um tato&amp;nbsp;paupérrimo investiguei a região, mas meu pé se perdeu e o tufão me levou, levou para longe, onde sinto frio na barriga em uma queda vertiginosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Triiim! Abro meus olhos, o frio na barriga ainda me acompanha um pouco (sensação gelada de montanha russa), porém percebo estar sentado no leito. Tenho pernas, sangue, acredito que as trocas gasosas estão em perfeita harmonia. Examino o quarto, a janela está fechada, vedada por trincos e cortina. Levanto, chego perto, não ouso abrir. Vou me arrumar e sair de casa. Vida lá fora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-8722904280134891996?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/8722904280134891996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=8722904280134891996&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8722904280134891996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8722904280134891996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/08/dorme-e-perde-as-pernas-no-sonho.html' title='Dorme e perde as pernas no sonho'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-2379000139976565837</id><published>2010-07-29T19:05:00.001-03:00</published><updated>2010-07-29T19:09:33.559-03:00</updated><title type='text'>A primogênita ou A voz feminina pulsante mas muito suave e que sai com pequenas pancadinhas no peito ou Um corpo é o que se tem mas não se deseja</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma vez disseram que eu era feia. Sim, feia. Permaneci interrogativa, até porque eu ainda&amp;nbsp;não entendia a feiura. Quer dizer, eu entendia perfeitamente, até porque ela não existe. Não existe, pois, a beleza. Se sou bela, me dizem que apenas sou, gostam de mim&amp;nbsp;e pronto, acaba-se aí a conversa. Se sou feia, insultam-me com facilidade, desgostam de mim&amp;nbsp;e pronto, também não há conversa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre achei ridícula a hipótese de me observar nua no espelho. Nunca achei que fosse prudente ver o corpo, porque ele está&amp;nbsp;em nós&amp;nbsp;para não ser sentido. Se não o sinto, uma sensação de grande leveza me acomete, pois tenho ciência de que nada me fere. Se uma faca me rasga a pele, choro alucinadamente e sinto-me dilacerada, pois senti o corpo. Fiquei doente, senti calafrios, minhas juntas pareciam quebradas. Senhor, rezei a&amp;nbsp;Deus, dá a cura para esse meu corpo!&amp;nbsp;Experimentei, então, queimar-me. Ai!: o corpo. Ele está aí. Não posso ignorá-lo mais porque parte de mim é ele. Se todas as partes de mim se desfizessem, talvez tivéssemos a origem do universo - somos de poeira e átomos minusculamente unidos como os que formam as estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se alguém disser que sou feia, não ficarei chateada. Eu sinto o corpo e sei que ele está aqui. Se sou linda, falam do meu rosto, minha face resplandece, mas relego ao corpo uma posição retardatária, porque só o sentirei quando tentarem corromper minha beleza: destruição da matéria. Quando alguém me fere, de verdade, não fere o que em mim habita. Fere o corpo, fere o átomo quantificado, a minha materialidade. Eu sou o texto que sempre se interfere, porque nunca será terminado.&amp;nbsp;Não termino meus textos e os deixo sempre com as portas abertas para que eles se sintam, tão materialmente inconstantes quanto permitam todos os olhares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pousei os olhos sobre minhas mãos. Oh, Deus, estou ficando velha. Deixo para trás minha juventude, tenha eu sido linda ou feia, e agora visto um manto senil muito confortável. Contaram meus anos, 983, ou quantos você queira me dar, e me percebo mundana. Nessa posição, de quem dorme um sono muito pesado, ficarei até encerrarem os anos que me dão.&amp;nbsp;Eu, sempre feia, sinto-me a perdiz livre e branca&amp;nbsp;que mergulha em um vazio de abismo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se me deixarem, se me quiserem, eu estou sempre aqui, neste mesmo endereço. Na minha casa tenho flores, eu sou uma delas, sempre a mesma, é só o tempo que passa. Sirvo chá, tenho biscoitos, guloseimas e os bem-te-vis comem em minha janela. Sei que o silêncio é devastador aqui, e aterriso branda com sons etéreos. Chama-me luz, ilumina teu corpo com o que sou, e verás que o tem. Beija a face do morto e dele se despede, porque estou aqui, na janela, e de você me despeço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-2379000139976565837?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/2379000139976565837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=2379000139976565837&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2379000139976565837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2379000139976565837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/07/primogenita-ou-voz-feminina-pulsante.html' title='A primogênita ou A voz feminina pulsante mas muito suave e que sai com pequenas pancadinhas no peito ou Um corpo é o que se tem mas não se deseja'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-8921959168044678893</id><published>2010-06-30T18:42:00.001-03:00</published><updated>2010-06-30T18:46:17.239-03:00</updated><title type='text'>Megszentségteleníthetetlen</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho pânico da página em branco. Tenho pânico de viajar com você e ficar em silêncio. Sei que sou feito de puro silêncio, mas não quero deixar também de dizer. Se um bloco me dessem, se caneta me dessem, eu deixaria tudo escrito, minuciosamente registrado. Porque assim você não ouviria minha voz e eu falaria tudo o que tenho para falar. O som é poluição, eu me incomodo com o barulho, nem ao menos sua voz é agradável. Mas se viajo com você, preciso que me digas quem és. Como não te conheço preciso saber quem você é e porque está aqui. Se não estabelecemos um contrato, não viajamos juntos. E se não viajamos juntos, eu não digo. E cada fibra do meu aparelho fonador se esgota, morre em pequenos pedaços. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho muita coisa para falar, no entanto preciso de alguém que me ouça. Sei ouvir e ouço pacientemente, ouço a concha que amplifica a onda, a formiga que tritura uma folha, a folha que balança ao vento. Até quando o tempo passa eu ouço, porque de ouvir a gente nunca se cansa. Morrer é ouvir o som do silêncio, o&amp;nbsp;acúmulo dos silêncios de toda uma vida. Quando deixo de falar me puno, acumulo sentenças perfeitamente estruturadas. Elas saem feias quando as digo, porque meu aparelho fonador já morreu um pouquinho. Então pego caneta, papel, venho até aqui antes que meus dedos também morram. Não venho lamentar, chorar, me desculpar. Venho dizer, venho escrever. Se aqui estou é porque vivo, vivo em uma intensidade solar e aguda, como a planta que brota. Brotam palavras, brotam ventos outros, e logo&amp;nbsp;rejuvenesço muitos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;em&gt;A palavra que deu origem ao título da postagem existe. Vem do húngaro/ magyar, e quer dizer "que não pode ser profanado, dessacralizado".&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-8921959168044678893?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/8921959168044678893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=8921959168044678893&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8921959168044678893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8921959168044678893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/06/megszentsegtelenithetetlen.html' title='Megszentségteleníthetetlen'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3982387220572205125</id><published>2010-06-20T18:16:00.003-03:00</published><updated>2010-06-20T18:40:13.073-03:00</updated><title type='text'>Skylla, Scylla ou Cila, a ninfa que virou monstro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu só queria saber navegar nessa jangada. Essa que me sacode, no leva-e-traz imperfeito das ondas. (Mas há muita perfeição nas águas sibilantes.) A onda vai, vem, arrasta consigo pequenos cristais que são multiplamente brilhosos&amp;nbsp;e batem nas cristas espumadas. O mar é a noiva incansável, com sua grinalda eterna, sempre à espera de um marido. O mar tem muitos maridos, maridos infinitos, que com muita ânsia tiram-lhe os filhos. Filhos, meus filhos, os filhos dos teus filhos, os que há muito nadam pelas dorsais oceânicas. A baleia canta, o harpão resvala, a baleia silencia, o mar se cala: a&amp;nbsp;morte é o silêncio de todos nós. Morrer é ficar bem quietinho para sempre, é talvez a reflexão eterna. Quando a baleia morre, milhões de peixinhos, plânctons, fitoplânctons e moreias rezam, pedem clemência. Também peço clemência por aqueles que ferem a noiva, por aqueles que tiram dela seus últimos filhos. A noiva sangra,&amp;nbsp;porém sangra azul eterno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha jangada parece sólida, mas ainda não sei navegá-la. Talvez eu não seja navegável. Talvez nós não sejamos navegáveis. Todos temos certa escuridão abissal, onde habitam seres&amp;nbsp;desconhecidos de qualquer ciência. Nem nós conseguimos avistá-los, pois nossos olhos não enxergam o suficiente. Às vezes, dificilmente enxergamos as superfícies. Quem sabe seja por isso que nossas jangadas afundam com a menor das ondas (pulsantes), quem sabe seja por isso que estamos insistentemente presos à margem. Com toda certeza a margem me conforta, me conforta saber que estou a salvo, que não corro o risco de desbravar mares sombrios, encontrar quimeras marinhas, glaciares cortantes ou&amp;nbsp;escuridões com perfeição de&amp;nbsp;cegueira. Preso pela margem, fico aqui e só, esperando que bata a onda na pedra, que resvale em mim algum pingo salgado para que eu me lembre, finalmente, o quão profundos&amp;nbsp;e arredios&amp;nbsp;podem ser os&amp;nbsp;mares&amp;nbsp;que&amp;nbsp;estão em nós. Preciso, pois, de uma nova jangada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3982387220572205125?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3982387220572205125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3982387220572205125&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3982387220572205125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3982387220572205125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/06/eu-so-queria-saber-navergar-nessa.html' title='Skylla, Scylla ou Cila, a ninfa que virou monstro'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-5657364293080881458</id><published>2010-05-04T22:08:00.000-03:00</published><updated>2010-05-04T22:08:56.795-03:00</updated><title type='text'>Reiterando</title><content type='html'>Eu queria que&amp;nbsp;o oco das coisas fosse música. Simples assim: p o e s i a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://aviacrucisdapoesia.blogspot.com/"&gt;http://aviacrucisdapoesia.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-5657364293080881458?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/5657364293080881458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=5657364293080881458&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5657364293080881458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5657364293080881458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/05/reiterando.html' title='Reiterando'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7677223061129153485</id><published>2010-05-04T22:06:00.001-03:00</published><updated>2010-05-04T22:07:17.535-03:00</updated><title type='text'>O Rascunho das Metrópoles</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma hora da tarde. O ônibus estava parado no engarrafamento, e o estudante pretendia chegar em casa. Todos os dias muita gente pretende chegar em casa, mas não sabe se realmente retornará. Quando saem, de manhã cedo, rezam para seus deuses em busca de alguma proteção. A cidade é a selva perigosa, o delírio inventivo, cimento, asfato e tijolo, a asfixia. Quem não se sente asfixiado com a fumaça tragada e expelida pelos carburadores insandecidos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois o estudante estava agora asfixiado. Os automóveis ao lado do ônibus produziam nuvens negras, e as janelas do coletivo imediatamente se fechavam, na tentativa de preservar o ar que ali se respirava. Nos acostamentos da via expressa, vendedores ambulantes estavam inertes a todo o caos provocado pelo barulho das buzinas, pela fumaça venenosa, pelas velocidades sempre crescentes. Eles aproveitavam o engarrafamento para vender seus produtos, ou pelo menos tentar. As janelas, quase invariavelmente fechadas, abriam-se vez ou outra para trocar refrigerantes, águas e&amp;nbsp;biscoitinhos por algumas moedas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais à frente, uma equipe da administração pública era vista como a causa do engarrafamento. Homens recapiavam a estrada, sob sol a pino, soltando matéria sintética preta e imprensando-a com rolo mecânico. O motorista do ônibus, já impaciente, tentava em vão algumas manobras para escapar do congestionamento. Tem-se muita pressa nos dias de hoje, uma pressa descomedida. O relógio é o inimigo fatal, pois se fulano não estiver às três no trabalho, está na rua. Todos nós passamos por tantas ruas em nossa vida...&lt;br /&gt;O estudante estava um pouco impaciente, olhava para o relógio e pela janela do ônibus. Sua visão não era muito agradável. Barracos, casas que mais pareciam escombros, animais magros pastando no lixo, catadores fazendo o mesmo, e no gramado cercado, crianças uniformizadas jogavam futebol. Ah, pelo menos isso, pensou o estudante. Pelo menos alguma esperança tornava-se visível naquele mar de regularidades que se espalhava pelo acostamento: o mar de tijolos dos barracos compunham a favela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No acostamento, um funcionário da obra de asfaltamento da via fumava um cigarro. Parecia desdenhar da utilidade de tudo aquilo, como quem dissesse "Daqui a pouco fica tudo esburacado de novo". Enquanto fumava, dois meninos pularam a barreira do acostamento, vindos da favela. O estudante pensou que isso era um absurdo, pois se não fosse a obra aqueles jovens estariam em apuros. Deteve-se em perceber que os dois meninos foram até o homem, cada um com um cigarro, pedir para que ele acendesse os seus. O homem, de prontidão, o fez. Munidos de um papel enrolado, "sabe-se lá com o quê dentro", pensou o estudante, os meninos aproximaram-se do ônibus e, em tom de escárnio, disseram: "Aí só tem playboy, esse é o ônibus dos playboy, mané!".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gelado e quase imóvel, o estudante ficou bastante espantado com aquilo.&amp;nbsp;Além da fala, os&amp;nbsp;meninos deram batidas na lateral do ônibus, na tentativa de acordar um rapaz que&amp;nbsp;cochilava encostado ao vidro, e falavam "Dorme não, playboy, dorme não!". O estudante não virou para trás a fim de conferir a reação do&amp;nbsp;rapaz. Com a mão no fecho da janela, pensou em fechá-la, mas em sua cabeça passaram milhões de coisas: e se&amp;nbsp;jogassem uma pedra ou cuspissem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ônibus finalmente andou mais um pouco, e saiu da zona de asfaltamento. Os meninos, agora mais para trás, pulavam&amp;nbsp;a barreira do acostamento de volta à favela,&amp;nbsp;e pareciam estar&amp;nbsp;satisfeitos com o que fizeram. O&amp;nbsp;estudante recuperara-se do "susto" (não sabia, ainda,&amp;nbsp;a reação do rapaz&amp;nbsp;do ônibus), alertado pelo odor que misturava esterco e papel queimado. A favela tornava-se mais ampla, porém mais distante. A linha do trem passava por ela, dura e cortante, mas ao lado dela, a carrocinha do catador de papel fazia seu trabalho diário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caminho, o estudante ficou pensando&amp;nbsp;o que motivara aqueles meninos a fazerem o que fizeram. Não assaltaram, não agrediram fisicamente, mas atacaram, proferiram palavras com raiva e pungência. Nós, passageiros daquele ônibus, éramos alvos daquele sentimento. Nós, passageiros daquele ônibus, estávamos deixando de lado aquele cartaz, para cruzar uma ponte, um túnel e chegar&amp;nbsp;à nossa linda cidade. A cidade só é linda de um lado, se você virá-la do outro ela é feia, feita de tijolo, barro, tapumes e zinco. Na via por onde o ônibus passara, ladeada de favelas, tentavam cobrir com acrílico e ferro a falta de planejamento, ou a tentativa de muitas pessoas de não ficarem desabrigadas e morarem perto do trabalho. Sim, porque se o fulano perder o trem e chegar atrasado, está na rua. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A caminho de casa, o estudante percebera que, no momento do "ataque" dos meninos na via expressa, aquilo incomodara mais do que o congestionamento e o cansaço da viagem. Incomodara porque, naquele instante, os passageiros do ônibus eram a materialização do sistema, a origem das desigualdades. Nós nos tornamos patrões, e eles sentiam-se nossos operários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na porta de casa, o estudante concentrou-se em outros pensamentos: "Tenho uma agenda a cumprir, preciso fazer tal coisa da faculdade para amanhã, é super importante". E cruzou o portão do prédio, que já fora lavado pela manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O estudante era eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7677223061129153485?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7677223061129153485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7677223061129153485&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7677223061129153485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7677223061129153485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/05/o-rascunho-das-metropoles.html' title='O Rascunho das Metrópoles'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-45572941571315696</id><published>2010-05-04T21:59:00.001-03:00</published><updated>2010-05-04T22:05:24.515-03:00</updated><title type='text'>Quando o caco de vidro torna-se o maior dos cristais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;X.&lt;/em&gt; saiu de casa às cinco. Tinha que estar no trabalho às sete. Só que &lt;em&gt;X.&lt;/em&gt; não sabia que aquele dia seria mágico. O ônibus estava no ponto, o ar cheirava a café e biscoitos, e seu estômago, como sempre, vazio. Vazios eram também os pensamentos de &lt;em&gt;X.&lt;/em&gt;: ela só sabia que precisava de um dinheiro no fim do mês porque&amp;nbsp;as&amp;nbsp;crianças já tinham aprendido a&amp;nbsp;dizer&amp;nbsp;"fome" e pediam leite e roupas. Era isso o que se podia fazer com o salário mínimo daquele país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;X.&lt;/em&gt; vivia como dava, honestamente. A honestidade era sua maior virtude, pensava encostada ao vidro do ônibus, enquanto os olhos rodavam como se quisessem absorver a imagem do café com pão assim como sua língua fazia com o alimento sorvido. Era sôfrega, mas se tivesse algumas moedas... olhou para as mãos e não viu nenhuma. Abriu a bolsa, vasculhou (embora estivesse vazia), nada. Desceu do ônibus, sem entender porque o fizera. Na cabeça, café com pão. Caminhou em direção à casa, meio hipnotizada, distante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abriu a porta, e o susto fez o menino mais velho largar a colcha. Se assustara, porque a essa hora a mãe deveria estar no meio do caminho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Coloca uma roupa, menino, e acorde os outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mais velho, imbuído de sua infinita responsabilidade, fez orgulhosamente o papel da mãe, nos dias em que essa ficava sem trabalho. Os outros, sonolentos, esfregavam os olhos secos pelo frio da madrugada. Já (quase) prontos, passaram pela inspeção da mãe: "A gente é pobre mas é honesto", frisou &lt;em&gt;X.&lt;/em&gt; E saíram de casa, respirando ar novo. A conta de luz não estava mais sobre o móvel da sala.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andaram pouco, e logo estavam na estação de ônibus. Aquele já partira há muito, mas o que importava? "Café com pão", dizia &lt;em&gt;X.&lt;/em&gt; a si mesma em seu interior magro. Ao chegarem em frente à banquinha, a vendedora disparou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É com manteiga, queijo ou presunto, freguesa? O café é puro, pingadinho, dois dedos de açúcar ou adoçante?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso atravessou &lt;em&gt;X.&lt;/em&gt; como a última esperança de sua vida. Aquela refeição seria abençoada. Pegou o dinheiro de dentro da bolsa, majestosa, e entregou à vendedora: "Hoje podemos tudo!". Sorriu para si mesma, a vendedora em posse do dinheiro fazendo os cálculos. Que fabuloso, cada um comeria seu pão, com o recheio predileto, e teria direito a um copo grande de café com leite, pingadinho, dois dedos de açúcar. Pronto, virara festa. Farelos, gotinhas, línguas e sabores. As crianças acordaram definitivamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O término era a despedida. Mas o estômago estava devidamente forrado. &lt;em&gt;X.&lt;/em&gt; pensou, "Quanta imprudência! Quem agora pagaria aquela bendita luz?". Nada mais importava. As crianças sorriam, e já começavam uma quase corrida de pega-pega. "O que importa?", pensou consigo mesma. "Essa felicidade nossa, conquistada sem o bate-estaca do dia-a-dia, ah, essa nem o escuro oprime. Nós temos vida, temos a nós mesmos".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saíram dali, não se sabe para onde. &lt;em&gt;X.&lt;/em&gt; andava e ria sozinha, sandália rala arrasatando pelo chão.&amp;nbsp;Estômago forrado, coração aquecido, libertação. Aquele dia havia sido, inegavelmente, mágico. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-45572941571315696?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/45572941571315696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=45572941571315696&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/45572941571315696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/45572941571315696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/05/quando-o-caco-de-vidro-torna-se-o-maior.html' title='Quando o caco de vidro torna-se o maior dos cristais'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7058014666502254578</id><published>2010-04-23T18:44:00.002-03:00</published><updated>2010-04-23T18:48:27.690-03:00</updated><title type='text'>O que legam à velhice</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei muito tarde ontem. Eram quase onze da manhã, e um sol desbotado&amp;nbsp;driblava a&amp;nbsp;janela entreaberta. A luz solar batia no chão do pátio, fazendo exalar o desagradável odor de xixi de gato. O lençol estava velho, um pouquinho rasgado, e o cobertor de lã fora parar no chão. Durante o sono a gente nunca sabe onde vai chegar, e se por acaso vai chegar a algum lugar. O sono é a morte passageira, e a morte é&amp;nbsp;o sono para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É nesse momento que surge o chinelo, pronto para ser calçado. Chinelos não são muito felizes e suas ambições são bastante terrenas: nunca sair da terra. A terra batida que leva&amp;nbsp;o trabalhador, o asfalto dos automóveis. A borracha tem sua persistência de martelo, golpeando o chão pelo mundo afora. O mundo é tão grande feito a cabeça de um alfinete. Quando espetado pode se espatifar em milhões de pedacinhos, basta a mão para fazê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andei até a porta e encontrei o pátio vazio. Caminhei até seu centro, procurando talvez um vértice. Eu, união de muitos vértices, conjunto de arestas meticulosamente desordenadas, cuja estrutura tornara-se frágil com o peso dos anos. Eu, com meus 29 anos, sentindo peso de outros 70 anos não vividos. Chega uma hora em que se cansa da própria face, porque o espelho não é mais capaz de reinventá-la. Eu, com meus 29 anos, nunca fora tão velho e tão distante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No centro do pátio, vazio descomunal e silêncio oco. Barulho só do coração: tic-tac, relógio do tempo. Sentei-me, com certa dificuldade, e recebi no rosto um pouco de luz e calor. Queria acender um cigarro, ler um livro, telefonar, escrever, rezar, rabiscar paredes, morrer após alguma coisa intensamente vivida. Mas não. O que me sobrava ali? As horas mal digeridas. Eu, a mariposa velha, peluda e cinzenta, na flor dos meus 29 anos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levantei-me um pouco mais novo. Na porta do quarto, a parenta distante e o bolo de milho. Momento de conversar e rever o mundo,&amp;nbsp;para fazer passar um pouco mais esse tempo que nunca passa. Eu e minhas 24 horas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez o que eu queira dizer não seja necessariamente importante. Mas, se me dão a palavra, acho que posso dizer livremente. Digo porque me permitem verbalizar a vida, as coisas. Os relatos que produzo não são sempre um retrato de mim, mas de tudo que gira ao redor. Às vezes, as coisas giram tão perto de nós que seria tolice ignorá-las. Outras vezes, passamos os olhos por elas e seguimos adiante. Seguir adiante, sim, pois há caminho. Há muito caminho a ser percorrido. E continuo minhas andanças, tentativas, acertos e erros. Até o dia em que a caneta bater ponto final.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7058014666502254578?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7058014666502254578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7058014666502254578&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7058014666502254578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7058014666502254578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/04/o-que-legam-velhice.html' title='O que legam à velhice'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-2241447235252834897</id><published>2010-01-26T17:08:00.002-02:00</published><updated>2010-01-26T17:16:19.298-02:00</updated><title type='text'>'Conversa reveladora' ou 'A formiga teve sentido no mundo depois de morta a chineladas'</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Z: - Poxa, que droga, acabei de morder minha língua.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;F: - Coisa de quem fala demais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Z: - Antes falar do que manter retesada toda a agonia que surge de repente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;F: - Dramalhão existencial, reconheço...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Z: - Reconhece nada. Tudo porque&amp;nbsp;acha que é&amp;nbsp;completo. Cheio de pessoas importantes, rituais de aparências, fés, credos, opiniões, valores. De que vale essa tralha se por dentro há ruína?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;F: - Quanta fraqueza em palavras mal digeridas...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Z: - O que eu não consigo digerir é essa superestimação das coisas, esses eventos tão mínimos que se tornam homéricos, essa tentativa de querer ser feliz a todo custo. Como se a felicidade fosse comprável e&amp;nbsp;a companhia de qualquer um se tornasse agradável, pois qualquer pessoa se torna a mais querida. Eu mordo minha língua sim, porque se eu não fosse falar tudo isso talvez dormisse mal todas as noites. Eu, ao contrário de você(s), não fico achando que cinco minutos são saudade, que uma mínima distância é um abismo, que uma conversa para ser boa tem que ser efusiva. Privilegio os silêncios espessos, as coisas inanimadas, o inanimado que existe em mim. A formiga que morre é a melancolia do dia, a água que goteja na pia é o poema da tarde. Às vezes o que eu não digo pode ser pior do que o que eu falaria, pois no íntimo da mente habitam densos mistérios. Eu não sei dar valor demais a coisas que não necessariamente merecem, ou que são muito pequenas para serem ditas eternas. Eterno para mim é muito, é uníssono, não é a convivência cotidiana e tampouco a presença. Quem sabe se a ausência pode ser eterna?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;F: - ...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Z: - Aposto que você&amp;nbsp;planejou essa&amp;nbsp;reação indiferente a tudo que eu disse. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;F: - De fato.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Z: - Se não quiser morder a língua, não morda, mas aprenda a falar. Gesticule, verbalize, cometa uma verborragia. Antes de ficar exaltando qualquer coisa, exalte cada hora ruminando detestáveis minutos de tédio ou mergulhe em seu próprio vácuo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;F: - Aceita um chá?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Z: - Aceito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;F: - Como vai o trabalho?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Z: - Sabe aquele seu castelo de cartas? Construído com afinco, mantido para que qualquer um chegasse e dissesse "Oh, minha nossa, quanta aplicação e quanto trabalho árduo", do qual você se orgulha de ter feito?&amp;nbsp;Eu o derrubei. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;F: - !&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Z: - Derrubei com um sopro despretensioso, só para ver se estava firme. Mas foi de propósito, foi sim, porque eu sabia que a sua reação seria essa: a de quem fala "cadê tudo aquilo que eu pensava estimar?". Pois é, está aí, bem abaixo de seus pés, abaixo dessa cara sempre e falsamente amigável. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é preciso deixar que alguém sopre nossos castelos de cartas quando nós sabemos fazê-lo. As epifanias que vivemos são momentos de si para si, o ser para dentro. Ser para os outros não tem graça. Montar e desmontar o personagem não funciona, não é admirável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora preciso ir. Mas aprenda uma coisa: reflita mais sobre a solidão e o silêncio. São muito necessários. Não se afaste das pessoas, pelo contrário, selecione umas poucas, bem poucas mesmo, porém que durem. Durem como o seu castelo e como você próprio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Fique de vez em quando sozinho, senão você será submergido. Até o amor excessivo dos outros pode submergir uma pessoa." &lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;C.L.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-2241447235252834897?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/2241447235252834897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=2241447235252834897&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2241447235252834897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2241447235252834897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/01/conversa-reveladora-ou-formiga-teve.html' title='&apos;Conversa reveladora&apos; ou &apos;A formiga teve sentido no mundo depois de morta a chineladas&apos;'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-5702065599895910473</id><published>2010-01-18T21:44:00.002-02:00</published><updated>2010-01-18T21:44:54.065-02:00</updated><title type='text'>Parecia</title><content type='html'>Essa última postagem não foi a primeira do ano, mas deveria ter sido. Dia 18, céus, envelhecemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-5702065599895910473?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/5702065599895910473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=5702065599895910473&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5702065599895910473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5702065599895910473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/01/parecia.html' title='Parecia'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1548389518571155083</id><published>2010-01-18T21:41:00.000-02:00</published><updated>2010-01-18T21:41:57.841-02:00</updated><title type='text'>Nem sempre tudo é tão singelo quanto parece</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou chafurdado em um processo enfadonho de criação. Penso, não escrevo. Desescrevo com a borracha algumas linhas outrora postas, e minha paciência torra lenta, macia e aguda, barulhinho de quando se acorda até o dormir. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deus queira que essa criação seja passageira, que a minha rima nasça ligeira, não aguento esperar. Essa dorzinha que matuta em minha cabeça, espero que desapareça, pois quero&amp;nbsp;gritar. Eu grito sempre, grito meu egocentrismo, essa coisa da primeira pessoa e do eu, que&amp;nbsp;finge um conflitinho&amp;nbsp;medíocre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade é que eu sempre falo as mesmas coisas com palavras diferentes, devo ter dito. Só que o vento leva, o papel queima, a fumaça encobre. Estou encoberto de mim mesmo, e por isso me afasto: fingimento poético sim, daqui para frente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1548389518571155083?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1548389518571155083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1548389518571155083&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1548389518571155083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1548389518571155083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/01/nem-sempre-tudo-e-tao-singelo-quanto.html' title='Nem sempre tudo é tão singelo quanto parece'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-8021551042554850949</id><published>2010-01-03T11:12:00.002-02:00</published><updated>2010-01-03T11:40:02.532-02:00</updated><title type='text'>Cartinha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Querido ano que chega,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não poderia deixar de dar as boas-vindas escrevendo nem que fosse uma linha. Tudo bem, sabemos que uma hora você vai ter de ir embora, aliás tudo vai embora (em boa hora?) um dia. Mas é que me deu um aperto sabendo que os papéis ficaram abandonados e a tinta das canetas secou. Por isso é que resolvi escrever e renovar tudo em sua homenagem. Lápis, papel, caneta, borracha, tudo. Aliás, passei borracha em muita coisa por aqui, inclusive no irmão que já se foi. Só mais uma coisinha, não me demoro: traga, por favor, um pouco mais de sensatez para todas as gentes. Esse mundão vasto em que a gente vive precisa se renovar, e conto com sua presença para que isso aconteça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Encerro aqui minha cartinha,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;de todo o coração,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;W.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-8021551042554850949?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/8021551042554850949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=8021551042554850949&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8021551042554850949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8021551042554850949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2010/01/cartinha.html' title='Cartinha'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-886345982092242475</id><published>2009-10-18T18:12:00.004-02:00</published><updated>2009-10-18T18:30:37.261-02:00</updated><title type='text'>Enquanto não chega a hora mais adequada, vomito umas letrinhas de nada: escape</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;I - Reflexo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu queria aprender a ser só.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A verdade é que eu sou dois: eu e você. Somos. Se cada pedaço de nós fosse decomposto, seríamos um: indivisível. Somos a menor unidade do átomo, quantificadamente eletrostaticamente ligados. Bombardeamo-nos de palavras, algumas disformes, pronomes que estão enclítico-proclíticos e fazem sobrar nenhum espaço para sermos. Nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até que o meu eu mais eu fixa a face e pergunta: acaso seríamos os mesmos? E eu-você diz: somos todos nós - essa gente que filosofa sobre um nada, que contempla uma existência cheia de vazio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por favor, coloque-nos em uma garrafa para que boiemos em uma imensidão de oceano e cheguemos como mensagem nova e limpa ao outro lado do mundo. Somos só nós, eu e coisa representada (que nos evitamos todo esse tempo).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Viajo por vagalhões de vento, poeira e palavras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque a coisa, amigos, essa coisa sou eu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espelho. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-886345982092242475?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/886345982092242475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=886345982092242475&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/886345982092242475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/886345982092242475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/10/enquanto-nao-chega-hora-mais-adequada.html' title='Enquanto não chega a hora mais adequada, vomito umas letrinhas de nada: escape'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7043539010401999168</id><published>2009-09-20T22:04:00.001-03:00</published><updated>2009-09-20T22:05:31.684-03:00</updated><title type='text'>Acho que eu quase morro</title><content type='html'>Ruas sinuosas&lt;br /&gt;Quarta-feira de cinzas&lt;br /&gt;Bloco vazio que desce a ladeira.&lt;br /&gt;Fim de tarde quieto&lt;br /&gt;Beco vazio&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7043539010401999168?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7043539010401999168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7043539010401999168&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7043539010401999168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7043539010401999168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/09/acho-que-eu-quase-morro.html' title='Acho que eu quase morro'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-2535217947202811850</id><published>2009-07-29T10:25:00.006-03:00</published><updated>2009-07-29T12:21:15.898-03:00</updated><title type='text'>Anexos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;I&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O último poema&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim eu quereria o meu último poema.&lt;br /&gt;Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais&lt;br /&gt;Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas&lt;br /&gt;Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume&lt;br /&gt;A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos&lt;br /&gt;A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Manuel Bandeira&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;II&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;LÁPIDE 1&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;epitáfio para o corpo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui jaz um grande poeta.&lt;br /&gt;Nada deixou escrito.&lt;br /&gt;Este silêncio, acredito&lt;br /&gt;são suas obras completas.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Paulo Leminski&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;III&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Clarice Lispector&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363900379434860354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 166px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SnBm-dbMP0I/AAAAAAAAAOY/FS3T3E5xsPI/s200/Blogue.bmp" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-2535217947202811850?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/2535217947202811850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=2535217947202811850&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2535217947202811850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2535217947202811850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/07/anexos_29.html' title='Anexos'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SnBm-dbMP0I/AAAAAAAAAOY/FS3T3E5xsPI/s72-c/Blogue.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-4457840854455936314</id><published>2009-07-28T10:47:00.004-03:00</published><updated>2009-07-28T12:32:01.894-03:00</updated><title type='text'>Carta de quem insiste em dizer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Darling&lt;/em&gt;,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu humor está uma droga hoje. Na verdade eu tenho ficado assim desde muito tempo. Me desculpe se não tenho dito nada, se não tenho te mandado fotos, cartas, cartões postais. É que eu estou prostrado nessa coisa que é a escrita. Tentei fabular, fazer poemas, devanear, filosofar sobre a literatura, mas não, nada disso funciona.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cotidiano também não me atrai mais. Já escrevi contos, crônicas, disse umas coisas polítcas, agora apenas repouso em um monte de letras perdidas. Coloquei na vitrola aquele meu disco favorito, você sabe, com minha música favorita. Não, ele soou agreste, inóspito. Ensaiei uma estorinha, quase uma trova, mas nada disso parecia funcionar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois bem, &lt;em&gt;darling&lt;/em&gt;, quero te dizer a imensa verdade: eu não sou poeta. Não sou prosador, não filosofo, apenas embalo com semântica umas poucas palavrinhas. Quem me dera ter mais significado, ser mais significante. É por isso que eu me atiro em abismos dos quais ninguém pode me resgatar, só eu. É por isso que me afogo na leitura, cujo mar de palavras é meu único refúgio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Me desculpe por toda a ausência, por toda a distância que nos separa. Eu sei, essa coisa de escrita é uma droga, mas ah, a mais lícita das drogas. É nela que eu percorro caminhos que se tornam descaminhos, que eu desconstruo o que me der vontade. Ah, &lt;em&gt;darling&lt;/em&gt;, quanta possibilidade, quanta coisa que a gente muda sem razão, ou às vezes com uma teoria meio torta sobre como e o que dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É, quem dera fosse assim. Agora eu acordo, depois de sonhar, de ficar imaginando. E é imaginando que eu me torno, finalmente, poeta. Poeta dos ninguéns, das ruas sozinhas, dos sertões tristes, das portas que se abrem para quartos vazios, dos ventos que sopram para o norte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Finalizo esse seu esforço que é ler-me. Quando eu me encontrar, quem sabe daqui a algum tempo, te escrevo uma coisa decente, que você mereça (metrificada, rimada, parnasiana). Enquanto isso, estou por aí, e não sei quando volto. Para onde fui? Não sei, mas se me vir por aí, mande-me um recado: estou a minha procura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saudades,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Z.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-4457840854455936314?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/4457840854455936314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=4457840854455936314&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/4457840854455936314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/4457840854455936314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/07/carta-de-quem-insiste-em-dizer.html' title='Carta de quem insiste em dizer'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6711660897939014158</id><published>2009-07-02T19:53:00.003-03:00</published><updated>2009-07-02T20:10:29.816-03:00</updated><title type='text'>(Des)necessidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;1: Eu gostaria de me manter assim, escultura em envoltório de mistério. Na verdade, quando o vento bate em mim eu me desfaço, pois sou de areia. Quando recebo a pancada da brisa um pedaço de mim se esvai, e com o passar dos anos serei apenas lembranças. Lembro-me que anteontem não teve vento. Talvez eu deveria ter soprado minha própria imagem, bem como eu soprei estas palavras (e ainda sopro) que preencheriam em tese as minhas lacunas. Todo tédio que existe é cada grão que de mim se desprende, pois vento é sopro de infinidade, não tem ponto zero nem linha de chegada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2: Posso concluir que és como o vento. Esse, quente à tarde e que chega à noite já frio, com medo do escuro. Carregas contigo palavras, letras, pessoas. Carregas a vida, aliás, porque cada momento é uma fotografia jamais repetida. Você mesmo não se repete, você não é óbvio nem enigmático, já disse. Mas nada do que eu disser vai conseguir curar esse monte de besteiras que a gente fala quando não tem nada a dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;FIM.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6711660897939014158?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6711660897939014158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6711660897939014158&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6711660897939014158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6711660897939014158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/07/desnecessidade.html' title='(Des)necessidade'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-9134834758276089124</id><published>2009-06-20T11:26:00.001-03:00</published><updated>2009-06-20T11:31:25.305-03:00</updated><title type='text'>Digo, pois volto</title><content type='html'>Há que se dizer&lt;br /&gt;Que as palavras aparecem&lt;br /&gt;Quando há pouco para dizer&lt;br /&gt;Mas eu digo:&lt;br /&gt;Necessidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-9134834758276089124?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/9134834758276089124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=9134834758276089124&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/9134834758276089124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/9134834758276089124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/06/digo-pois-volto.html' title='Digo, pois volto'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-2404505195509662896</id><published>2009-06-20T11:05:00.003-03:00</published><updated>2009-06-20T11:25:06.352-03:00</updated><title type='text'>1968 ou da Liberdade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Meu bem,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que este relato tarda, mas você sabe, esta carta eu escrevi com a mão no coração. Ah, se eles nos pegam... Nem consigo imaginar a separação, parece tão dolorosa. Ainda não sei, também, mas creio que será assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De qualquer maneira, saiba que esse mundo é grande. Que você pode conseguir o que quiser, basta ser. Não ser às vezes também é uma dádiva, mas nesses tempos difíceis a melhor arma é a coragem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A coragem não violenta, digo. Daqui a um tempo colocaremos flores nesses canhões, diremos a eles que estão errados. Plantaremos lírios sem colher balas de chumbo, hastearemos nossa bandeira da paz e nenhuma barricada nos derrubará.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isto se chama sonho, meu bem. Aquele que parece chama quase apagada em dias difíceis, mas que nos deixa viver mais um bocado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu ainda quero viver um bocado, confesso, mas não assim, acuado, amedrontado. Eu quero gritar ao vento palavras em liberdade, som fragmentado no compasso do quase vácuo. Depois, quem sabe, fazer um vôo livre por aí, enternecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então é isso. Até a próxima, meu bem. Esse 'próximo' é perto, eles não vão nos pegar. E se pegarem, seremos corajosos, seremos essa juventude que faz tudo intensamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De coração, S.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-2404505195509662896?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/2404505195509662896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=2404505195509662896&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2404505195509662896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2404505195509662896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/06/1968-ou-da-liberdade.html' title='1968 ou da Liberdade'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7233325760932873042</id><published>2009-04-11T14:41:00.002-03:00</published><updated>2009-04-11T14:43:33.390-03:00</updated><title type='text'>Arrefeceu</title><content type='html'>Porque quando a palavra acaba&lt;br /&gt;e não há mais o que dizer,&lt;br /&gt;Não há remédio que cure,&lt;br /&gt;Não há palavra que console,&lt;br /&gt;Não há afago que acalme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso dar um tempo em tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7233325760932873042?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7233325760932873042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7233325760932873042&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7233325760932873042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7233325760932873042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/04/arrefeceu.html' title='Arrefeceu'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7170458370207177153</id><published>2009-03-28T22:04:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T22:08:49.795-03:00</updated><title type='text'>Reflexivo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais."&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Grande Sertão: Veredas. Pág. 319&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7170458370207177153?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7170458370207177153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7170458370207177153&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7170458370207177153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7170458370207177153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/03/reflexivo.html' title='Reflexivo'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1280275184601121632</id><published>2009-03-28T21:05:00.006-03:00</published><updated>2009-03-28T22:04:08.144-03:00</updated><title type='text'>Dissetãorápidoquesaiuassim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não quero mais falar nada. Eu precisava dizer, mas não tenho palavras, não tenho paciência. Meus dedos rápidos &lt;em&gt;trepidam o teclado&lt;/em&gt;, e ecoa em meu ouvido uma melodia aguda, melancólica, sôfrega.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para mim, escrever etcéteras e reticências é inexorável. Acho também que as pessoas deviam se comunicar pela escrita, somente. Dizer é demasiado pesado qual notas de órgão executando Bach em disritmia. É por isso que abaixo meu tom de voz de tal maneira que o som sai assim: mudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu queria um livro que não acabasse mais, que se tornasse minha própria ampulheta. Insisto sempre em produzir algo novo, sapecar palavras bonitas, feito pão velho adormecido que a gente esquenta de manhã. Quero, de preferência, mais manhãs cinzentas para ver-me representado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No momento sou coisa alguma. Queria eu ter a chave do tempo, esse que não consigo entender ou mesmo explicar. Esse que me faz cair dentro do abismo que sou eu. Vamos, pegue em minha mão e vamos correr por aí. Quem sabe um dia não chegaremos onde você pára, onde é ponto final. Se existe esse lugar eu quero conhecê-lo e prorrogá-lo, por uma infinitude de tempo, pois preciso aprender a ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1280275184601121632?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1280275184601121632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1280275184601121632&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1280275184601121632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1280275184601121632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/03/dissetaorapidoquesaiuassim.html' title='Dissetãorápidoquesaiuassim'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-2259612243132555474</id><published>2009-03-14T18:26:00.003-03:00</published><updated>2009-03-14T18:41:35.153-03:00</updated><title type='text'>Estroboscópico</title><content type='html'>Como se jogasse pedrinhas ao rio, vi muitas pessoas partirem.&lt;br /&gt;Como se arrancasse pétalas de margaridas, vi a menina crescer.&lt;br /&gt;Como se corresse rápido, vi os apartamentos mudarem seus donos.&lt;br /&gt;Como se estivesse parado no mesmo lugar,&lt;br /&gt;O tempo só passava para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Mas as coisas findas&lt;br /&gt;muito mais que lindas,&lt;br /&gt;essas ficarão&lt;/em&gt;."&lt;br /&gt;C.D.A.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-2259612243132555474?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/2259612243132555474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=2259612243132555474&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2259612243132555474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2259612243132555474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/03/estroboscopico.html' title='Estroboscópico'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1356437435566414582</id><published>2009-03-08T20:21:00.003-03:00</published><updated>2009-03-08T20:37:04.105-03:00</updated><title type='text'>Estação</title><content type='html'>&lt;em&gt;São as águas de março, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;fechando o verão&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;que tarda,&lt;br /&gt;que esquenta,&lt;br /&gt;sem chuva&lt;br /&gt;e arde até o anoitecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a moça que dorme na rede,&lt;br /&gt;é o bicho no mato&lt;br /&gt;e o som de&lt;br /&gt;fadinhas&lt;br /&gt;pirilampos&lt;br /&gt;cigarras&lt;br /&gt;coisinhas que voam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o sobradinho aberto,&lt;br /&gt;a cortina parada:&lt;br /&gt;- Quedê o vento? pergunta a velha.&lt;br /&gt;E nada.&lt;br /&gt;Na igrejinha é meia-noite,&lt;br /&gt;ninguém mais transita&lt;br /&gt;- Madrugada é dos mortos, murmura a velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o sono que chega&lt;br /&gt;e a criança deitada&lt;br /&gt;a mãe sossegada&lt;br /&gt;brincadeira de roda&lt;br /&gt;só quando o galo cantar.&lt;br /&gt;E amanhã vai chover:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;promessa de vida no teu coração&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1356437435566414582?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1356437435566414582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1356437435566414582&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1356437435566414582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1356437435566414582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/03/estacao.html' title='Estação'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3615863472894983880</id><published>2009-02-27T11:47:00.005-03:00</published><updated>2009-02-27T12:22:52.969-03:00</updated><title type='text'>E foi embora</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A menina pegou o caderno de folhas brancas e pôs-se a desenhar. Com aqueles lápis que havia ganhado de aniversário, parecia poder fazer desenhos mágicos, combinar cores, variar formas. Aquilo era para ela um júbilo, atividade obrigatória do fim de tarde. Quando o pai chegasse, e a mãe finalmente servisse o jantar, ela pararia, retornado somente no dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas teve um dia que foi diferente. O pai demorava, a mãe preocupada tinha um olho na porta e outro na janela. Um ventinho balançava a chave na porta e ela achava que era o marido. Engano. A menina ainda estava perdida nas cores, agora descobrira que podia fazer aquarelas (Oh, belos lápis).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até que quebrou uma ponta. Logo a ponta do lápis mais bonito, aquele azul quase verde que sempre colore o mar. A menina ficou perplexa com o que acontecera. Como? Não se sabe, mas ela chorava. E a mãe veio da cozinha, enxugando as mãos no avental e perguntando o que tinha accntecido. E quase aos soluços, dissera que o lápis havia ficado sem ponta. A mãe a consolou e voltou para o fogão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada do marido. A ponta quebrada, pouco barulho em casa, logo ele que chegava fazendo alvoroço. A menina parada, a mãe com luva e avental prestes a tirar a comida do fogo. Nas horas em que se está ocupado, há sempre uma vizinha fofoqueira que atrapalha. A mãe, com pouca paciência, ouviu a velha, que antes rabugenta e maledicente, agora trazia expressão de angústia:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ô dona Fulana, seu marido morreu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Panela queimada, lápis sem ponta, mulher viúva. Com os lápis, a menina pintava as cores da despedida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Como se te perdesse, assim te quero. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se não te visse (favas douradas &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sob um amarelo) assim te apreendo brusco &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Inamovível, e te respiro inteiro &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um arco-íris de ar em águas profundas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se tudo o mais me permitisses, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mim me fotografo nuns portões de ferro &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dissoluto de toda despedida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se te perdesse nos trens, nas estações &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou contornando um círculo de águas &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Removente ave, assim te somo a mim: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De redes e de anseios inundada."&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Hilda Hilst&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3615863472894983880?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3615863472894983880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3615863472894983880&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3615863472894983880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3615863472894983880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/02/e-foi-embora.html' title='E foi embora'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-262266564151308747</id><published>2009-02-27T11:17:00.003-03:00</published><updated>2009-02-27T11:31:08.411-03:00</updated><title type='text'>Outro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/Saf5DCL1HgI/AAAAAAAAAOA/tzLZZBg6knw/s1600-h/Selo2!.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307484516400832002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/Saf5DCL1HgI/AAAAAAAAAOA/tzLZZBg6knw/s320/Selo2!.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabei de ganhar mais um selo, desta vez da Rachel do &lt;a href="http://contadouro.blogspot.com/"&gt;C O N T A D O U R O&lt;/a&gt;. Foi uma agradável surpresa descobrir este espaço, ainda mais pelo fato de seus textos me dizerem muito (há muito significado em todas as linhas). Vida longa às literatices (II)!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-262266564151308747?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/262266564151308747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=262266564151308747&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/262266564151308747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/262266564151308747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/02/outro.html' title='Outro'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/Saf5DCL1HgI/AAAAAAAAAOA/tzLZZBg6knw/s72-c/Selo2!.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3973100665863078728</id><published>2009-02-24T12:03:00.012-03:00</published><updated>2009-02-24T12:36:38.335-03:00</updated><title type='text'>Vai chegando ao fim</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SaQS9I7RaHI/AAAAAAAAANQ/2dKfl64XaMA/s1600-h/Lapaaa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306387102526695538" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 184px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SaQS9I7RaHI/AAAAAAAAANQ/2dKfl64XaMA/s200/Lapaaa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando eu era criança, minha avó ficava me contando suas intermináveis histórias. E em Fevereiro de cada ano era sempre a mesma coisa: carnaval. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nascida e criada na Lapa, ela dizia que os melhores bailes eram ali. Bastava andar um pouco e já estava na Rio Branco, palco de blocos que pregavam a felicidade, e irreverência e que faziam a festa. Andando menos ainda recebia as boas vindas dos Arcos, e lembrava, saudosista, a pura carioquice do lugar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recordava-se também das mulatas faceiras e dos malandros que as perseguiam incessantemente com fervor e adoração. Fantasiada de bahianinha, ia brincar nas escadarias que desembocavam em Santa Teresa, espalhando confete, serpentina e muita alegria. Nas casas, as janelas abertas serviam de moldura aos rostos de senhoras que riam, em aprovação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais para a esquina, estirado no chão, o bêbado de ontem, quiçá de anteontem, sobre o chão frio e duro, antes o chão das marchinhas. A correria era uma só: pai e mãe chamavam, já ia sair o bloco. As freiras do convento próximo passavam depressa, e logo estavam longe, andando a rápidas passadas. Fora ensinada que carnaval não é coisa de Deus, mas mesmo assim o aproveitava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o tempo sempre passa, eu ouvindo e ela falando. E passou mesmo: veio a época de mocinha (menina-moça, disse ela), moça feita, os filhos. Eles também brincaram o carnaval, mas não tão intensamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah, minha avó suspirava de saudade. Sentada em sua cadeirinha, majestosa, ela refletia: quanta vida!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3973100665863078728?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3973100665863078728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3973100665863078728&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3973100665863078728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3973100665863078728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/02/vai-chegando-ao-fim.html' title='Vai chegando ao fim'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SaQS9I7RaHI/AAAAAAAAANQ/2dKfl64XaMA/s72-c/Lapaaa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-5300780389523586466</id><published>2009-02-23T21:55:00.005-03:00</published><updated>2009-02-24T12:38:54.189-03:00</updated><title type='text'>Selo!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SaQUc0fTMhI/AAAAAAAAANY/ZCGf5wL4eDA/s1600-h/Selo!.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306388746308104722" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 142px; CURSOR: hand; HEIGHT: 151px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SaQUc0fTMhI/AAAAAAAAANY/ZCGf5wL4eDA/s320/Selo!.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabo de ganhar um selo de um blog especialíssimo de que gosto muito: &lt;a href="http://dialogosasos.blogspot.com/"&gt;Diálogos a Sós&lt;/a&gt;. Julia, querida, o Diálogos é um retrato de você mesma, pura metalinguagem, das mais naturais e sinceras. Vida longa às literatices!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-5300780389523586466?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/5300780389523586466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=5300780389523586466&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5300780389523586466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5300780389523586466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/02/selo.html' title='Selo!'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SaQUc0fTMhI/AAAAAAAAANY/ZCGf5wL4eDA/s72-c/Selo!.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3614677626437799910</id><published>2009-02-19T15:56:00.002-03:00</published><updated>2009-02-19T15:57:56.277-03:00</updated><title type='text'>Devaneando</title><content type='html'>Mariazinha, bonitinha,&lt;br /&gt;um amor de pessoa!&lt;br /&gt;Soprou o vento,&lt;br /&gt;bateu asas e voou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3614677626437799910?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3614677626437799910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3614677626437799910&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3614677626437799910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3614677626437799910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/02/devaneando.html' title='Devaneando'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7859598227771518475</id><published>2009-02-19T15:47:00.002-03:00</published><updated>2009-02-19T15:55:39.875-03:00</updated><title type='text'>Digo porque vivo II</title><content type='html'>Dizer o que penso é transposição de um rio de palavras que não sei para onde vai. Aliás, também estou em dúvida, mudando o curso, acumulando poeira em minhas dobradiças. Refletir sobre o tempo é virar a ampulheta contra si mesmo: eu não, vivo porque não canso de falar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7859598227771518475?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7859598227771518475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7859598227771518475&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7859598227771518475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7859598227771518475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/02/digo-porque-vivo-ii.html' title='Digo porque vivo II'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3255852669227304678</id><published>2009-02-15T21:26:00.003-03:00</published><updated>2009-02-15T21:49:08.132-03:00</updated><title type='text'>Digo porque vivo I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os últimos dias foram muito custosos. Passaram com lentidão, densos e pesados. Tive que pensar mil coisas, sofrer por antecipação, escolher. Mas no final as coisas se encontram, e a linha termina no lugar onde realmente havia de parar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A necessidade de escrever chegou de supetão, e logo vi aqui o meu bote de escape ao naufrágio. Eu preciso ser mais leve, respirar ar puro. Levantar a cabeça e ver o céu que passa, nunca o mesmo. Também sou um pouco 'não o mesmo', feito duna do deserto: cada vento que sopra em mim pode me moldar outro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deserto, essa palavra diz muita coisa. Cada grão é uma letra, e nesse mundo tão vasto eu passo, arrastando comigo as palavras que me definem, deixando para trás as obsoletas. Eu sou renovável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS: O Blog comemorou um ano há 9 dias, e nem fiz festa ou algum tópico. Me declaro um sobrevivente da escrita, porque "&lt;em&gt;Eu não me incomodo muito com defeito. Defeito é coisa que nunca me atrapalhou.&lt;/em&gt;", como disse Clarice. Então eu me escrevo e fico um pouco acostumado a isso, às vezes acho chato, às vezes não. Mas isso é comum para mim, e fico aqui com minha intenção de prosseguir e ver aonde dá. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3255852669227304678?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3255852669227304678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3255852669227304678&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3255852669227304678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3255852669227304678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/02/digo-porque-vivo-i.html' title='Digo porque vivo I'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6460255453070115899</id><published>2009-01-28T10:18:00.004-02:00</published><updated>2009-01-28T11:34:46.721-02:00</updated><title type='text'>Quero ser lido</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aquele escritor que nem todos gostam sentou-se para escrever algumas páginas de seu novo livro. Não obstante, ficou um tempo enorme pensando, olhando vago, e decidiu, por fim, escrever algo não convencional. É, estava cansado de (longas) dissertações sobre temas sociais e contemporâneos, que seriam lidos por críticos de qualquer coisa, leitores do dia-a-dia ou por professores que eventualmente retirariam algo de seus textos para uma prova ou uma proposta de redação. Mas tudo isso era muito chato, não tinha graça nenhuma. Estava chata também aquela máquina obsoleta, com palavras obsoletas. Então finalmente começou seu relato: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Sabe, hoje tive vontade de escrever alguma coisa. Pensei em contar uma historinha, ou ficar proseando algumas linhas, mas na verdade o que eu quero é dizer. Eu desdigo muitas coisas, mas neste momento não estou precisando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto de escrever quando estou fazendo muitas coisas. É como uma fuga, encontro um momento para despejar as palavras. Muitas não saem, outras relutam, mas eu empurro todas com minha inspiração indelével. Nem sempre estou inspirado, para falar a verdade. Como agora: o som das teclas é sinfonia aleatória. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não gosto de muito movimento, é por isso que não sou sinuoso. Estico-me pelo tempo como quem é linear e constante. Embora pense e escreva com constância, tudo o que digo se apaga, eu me apago com o tempo. Reflito muito sobre a velhice, fico velho mais cedo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou um pouco mais seguro do que quero dizer agora. Talvez daqui a um tempo me sinta pior e tenha que fazer uma transfusão de palavras comigo mesmo. Eu tento me renovar, mas às vezes não consigo. Meu estilo ultrapassado e meus parágrafos curtos não me deixam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou descansar mais um pouco, mais do que já descansei. Ler um livro, pôr um disco na vitrola, cantarolar errado uma letra de música (sim, eu não gravo todas). Estou apenas começando, ainda há muito tempo." &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6460255453070115899?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6460255453070115899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6460255453070115899&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6460255453070115899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6460255453070115899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/01/quero-ser-lido.html' title='Quero ser lido'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1243796722976448171</id><published>2009-01-10T10:48:00.001-02:00</published><updated>2009-01-26T10:48:56.270-02:00</updated><title type='text'>Exercício</title><content type='html'>Um dia vou escrever um livro.&lt;br /&gt;É, com páginas de papel e letras impressas.&lt;br /&gt;Vai ter capa, índice,&lt;br /&gt;mas nada de prefácio e posfácio,&lt;br /&gt;sou breve e uso poucas palavras.&lt;br /&gt;Minha prolixidade está no pensamento,&lt;br /&gt;minha escrita é esquálida e simplista.&lt;br /&gt;Não elaboro fraseado bonito,&lt;br /&gt;não consulto o dicionário sempre,&lt;br /&gt;não costumo reinventar.&lt;br /&gt;Quando escrever meu livro, porém,&lt;br /&gt;lerei milhares de coisas,&lt;br /&gt;pesquisarei termos plurissignificativos,&lt;br /&gt;salpicarei figuras de linguagem.&lt;br /&gt;Haverá linhas de mim mesmo,&lt;br /&gt;puro exercício de metalinguagem,&lt;br /&gt;e estarei renovado.&lt;br /&gt;Escrever é meu não-tempo,&lt;br /&gt;minha sala isolada e silenciosa.&lt;br /&gt;O tempo acaba, a tarde chega,&lt;br /&gt;e findo esta página,&lt;br /&gt;esperando o dia seguinte,&lt;br /&gt;pois já é tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1243796722976448171?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1243796722976448171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1243796722976448171&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1243796722976448171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1243796722976448171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/01/exerccio.html' title='Exercício'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7406969655494201458</id><published>2009-01-01T16:44:00.000-02:00</published><updated>2009-01-01T16:53:49.905-02:00</updated><title type='text'>Atípico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Novo acordo ortográfico: cinquenta ideias para melhorar a infraestrutura da Língua Portuguesa.&lt;br /&gt;Se vai melhorar, não sei, mas vai dar dor de cabeça. Só na cabeça? Ainda é cedo, mas para remediar (e não previnir), melhor um anti-inflamatório.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7406969655494201458?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7406969655494201458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7406969655494201458&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7406969655494201458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7406969655494201458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/01/atpico.html' title='Atípico'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-2076548078358940675</id><published>2009-01-01T16:30:00.001-02:00</published><updated>2009-02-24T12:43:26.901-03:00</updated><title type='text'>Ficam os votos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje vou colocar minha melhor roupa, sair por aí, andando com o vento, conversando com o vazio que são as ruas de 1º de Janeiro. Ah, eu gostaria que todo dia tivesse um pouquinho de 1º de Janeiro. Sempre um ar de coisa nova, dessas que a gente pensa que nunca viu mas que já nos acompanham desde sempre. Vou também encher um balão, colocar fita e andar com ele, até que flutuemos juntos, e eu possa ser o vento, transcendental e límpido. Não tão leve, mas realizado.&lt;br /&gt;Pá (barulho), acordei.&lt;br /&gt;Hoje é dia 1º, a manhã se desenha: hoje é o início de um quebra-cabeça, que termina daqui a 364 dias, para que outros e mais outros possam ser montados, cada um a sua maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano&lt;br /&gt;Vive uma louca chamada Esperança&lt;br /&gt;E ela pensa que quando todas as sirenas&lt;br /&gt;Todas as buzinas&lt;br /&gt;Todos os reco-recos tocarem&lt;br /&gt;Atira-se&lt;br /&gt;E— ó delicioso vôo!&lt;br /&gt;Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,&lt;br /&gt;Outra vez criança...&lt;br /&gt;E em torno dela indagará o povo:&lt;br /&gt;— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?&lt;br /&gt;E ela lhes dirá&lt;br /&gt;(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)&lt;br /&gt;Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:&lt;br /&gt;— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA..."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Mário Quintana&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-2076548078358940675?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/2076548078358940675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=2076548078358940675&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2076548078358940675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2076548078358940675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2009/01/hoje-vou-colocar-minha-melhor-roupa.html' title='Ficam os votos'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6813289221193740014</id><published>2008-12-27T16:48:00.000-02:00</published><updated>2008-12-27T17:07:46.439-02:00</updated><title type='text'>E chove lá fora</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; L. não sai de casa porque está chovendo. Não sai mesmo é por preguiça, mas não quer admitir. A chuva veio bem a calhar: no Domingo as ruas ficam mais vazias, não tem algodão-doce na praça, as crianças não saem de casa, as avezinhas longínqüas não chegam para pegar milho. Ainda mais com essa chuva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Então é que decide fazer um desenho. Procura papel, lápis e algumas tintas. Senta-se no chão, mas fica parado pensando no que vai fazer - é chato desperdiçar papel, tinta e tempo. Após um tempo, decide pintar um bosque.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Frondoso, belo e explêndido, assim que ele vai ser. Com animaizinhos, um céu de nuvens, um solzinho modesto e ameno. Terá árvores de vários tipos, frutas comestíveis, borboletas majestosas e formiguinhas trabalhadoras. A senhora joaninha vem depois, em uma dessas folhinhas de verde vivo que nutrem o capim de beleza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Um riacho acolherá os pés do caminhantes, isso, é claro, se L. fizer pessoas, porque agora era senhor. Senhor do verde-claro, do amarelo-ouro, do carmim e de mais nãoseioquê. E assim vai a tarde: lápis espalhados, papéis espalhados, tintas abertas. A mãe chamando, não há resposta - L. só ouve os sons da imaginação. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6813289221193740014?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6813289221193740014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6813289221193740014&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6813289221193740014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6813289221193740014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/12/e-chove-l-fora.html' title='E chove lá fora'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3081696331868719149</id><published>2008-12-16T21:05:00.000-02:00</published><updated>2008-12-19T14:06:03.872-02:00</updated><title type='text'>Ampulheta</title><content type='html'>[Gravando.]&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SUhAJwiR5QI/AAAAAAAAAL0/F55HuFM3zTw/s1600-h/Tempo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280541099483587842" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 132px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SUhAJwiR5QI/AAAAAAAAAL0/F55HuFM3zTw/s200/Tempo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Preciso me reiventar. Meus quadros já não são mais bonitos, minha dança é a dos movimentos enferrujados, minhas palavras apagam-se naturalmente e meus olhos já não brilham como antes. Minhas flores já não abrem mais, minhas roupas estão desbotadas e meu ar não se renova. Há muito que convivo com o dilema do envelhecimento. Já não conto mais com tão boa memória, ou com amigos de longa data que me ajudem a lembrar de tudo. A xícara favorita está velha, um pouco quebrada, o cachecol mais bonito quase devorado pelas traças, e minhas mãos enrugadinhas, pequeninas e arqueadas. Não vou muito bem das pernas mesmo. Mas são suficientes para me dirigir ao cesto e pegar o pão, beber o chá, arrumar o que ainda resta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém, ao menor dos esforços sinto que todas essas horas, dias, meses e outras unidades de medida de tempo foram muito úteis. Sim, e continuarão a ser, enquanto eu durar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;[Fim de gravação.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3081696331868719149?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3081696331868719149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3081696331868719149&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3081696331868719149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3081696331868719149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/12/ampulheta.html' title='Ampulheta'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SUhAJwiR5QI/AAAAAAAAAL0/F55HuFM3zTw/s72-c/Tempo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3127060044474038696</id><published>2008-12-09T15:32:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T15:38:06.878-02:00</updated><title type='text'>31 anos</title><content type='html'>"Dá-me a tua mão desconhecida que a vida está me doendo e eu não sei como falar - a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice Lispector. 09/12/1977&lt;span style="font-size:180%;"&gt; &lt;span style="font-family:webdings;"&gt;§ &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3127060044474038696?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3127060044474038696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3127060044474038696&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3127060044474038696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3127060044474038696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/12/31-anos.html' title='31 anos'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6372887960644356699</id><published>2008-12-09T15:12:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T15:31:42.146-02:00</updated><title type='text'>Algum conto temático, porém fora de época</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;W. estava indecisa, não sabia o que ia comprar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabou o chá,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabou a bolacha,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas ainda tinha bastante açúcar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que se podia fazer com muito açúcar hoje em dia? Pensou em um bolo, ou bolinhos de chuva, mas cadê a farinha? Não, também tinha acabado a farinha. Pensou novamente: "- Para quê serve farinha, não queria mesmo."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sofá já se configurava duro, e o gato espichava uma lingüinha magra, meio que em um bocejo de cansaço e preguiça. A parede estava desbotada, W. há muito não renovava a cor. Tinta também não se encontrava, coisa rara. Raro mesmo era ver alguma coisa muito nova naquele lugar. W. estava cansada, indecisa e pensativa. Achava consigo mesma que nunca havia pensado tanto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi então que teve a idéia de comprar um pinheirinho (louca, não tinha bolacha nem chá). Estava frio, precisava de chá e bolacha, mas com o troco dava para comprar chocolate e uma garrafinha de leite. Colocou o cachecol, a touca, calçou as luvas e saiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em seu regresso, trouxe consigo o pinheirinho, o chocolate e o leite. Mal conseguia enxergar o caminho por onde andava, porém conseguiu chegar em casa sem danificar nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Instalou o pinheirinho:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem enfeite,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem brilho,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Colocou o leite do gato, fechou as janelas, pôs o restante de lenha na lareira (e olha que ainda deu um bom fogo), preparou a cama com lençóis e colchas (mesmo que ralos), esquentou o chocolate. A cadeira já não balançava mais, contudo ligou o rádio, sentou-se nela e tomou chocolate. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;25 de Dezembro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6372887960644356699?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6372887960644356699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6372887960644356699&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6372887960644356699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6372887960644356699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/12/algum-conto-temtico-porm-fora-de-poca.html' title='Algum conto temático, porém fora de época'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7555245032775876764</id><published>2008-11-04T22:04:00.000-02:00</published><updated>2008-11-04T22:36:49.643-02:00</updated><title type='text'>Falar com a parede</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No momento eu não digo, explodo: saiofalandosempausacomoseomundofosseacabar. Aí sai um monte de coisas sem sentido, mas que me deixam menos enforcado. Na verdade eu não gosto muito de dizer. O silêncio são as palavras implícitas, e como eu não me dou muito bem com elas, prefiro guardá-las para quando tiver necessidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha necessidade agora é dormir. Dormir para esquecer, apagar, refazer, começar de novo, enfim, mais um tanto de palavras invarialvelmente prefixadas por 're'. Mas isso se deve a um cansaço mórbido que eu tenho sentido. Estou um velho de oitenta anos essa semana, embora ache que até mesmo um velhinho se sente menos cansado do que eu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isso se resolve com uma boa dose de paciência. Muda, oculta, que não se revela. No entanto, não é assim tão fácil, visto que tenho que me desgartar pensando, falando, sentindo, umas coisas que nem fazem tanto sentido para minha vida. Aliás, o que realmente faz sentido? Ainda não sei a resposta, mas gostaria de buscá-la: preciso ficar mais a sós com os livros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E como estou costurando esse texto (colcha de retalhos), cada assunto puxa outro, e ponho-me a falar de livros. Ah, como queria tê-los mais em minha companhia. Porém aconteceu de um tal de relógio aparecer para eu ficar louco: tempo. É tempo marcado para tudo - inclusive ler. E os livros são menos procurados, deixados de lados, tratados como bastardos. Não, eu preciso de mais tempo para eles, nem que eu pare o relógio e viva aquele tempo meu de que sempre falo repetitivamente nos textos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então preciso ir, pois dormir também tem tempo certo. Daqui a pouco vou acordar, na hora certa, para mais um dia. Um dia que se levanta por essas bandas e à tardinha vai para o outro lado do mundo. Bem, antes que eu fale mais coisa, FIM.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7555245032775876764?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7555245032775876764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7555245032775876764&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7555245032775876764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7555245032775876764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/11/falar-com-parede.html' title='Falar com a parede'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-5953799227590019499</id><published>2008-10-24T21:44:00.000-02:00</published><updated>2008-10-24T22:05:56.944-02:00</updated><title type='text'>Explosão II</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;C&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;a&lt;/span&gt; l &lt;span style="font-size:85%;"&gt;a&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;r&lt;/span&gt; : antes que a voz acabe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-5953799227590019499?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/5953799227590019499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=5953799227590019499&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5953799227590019499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5953799227590019499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/10/exploso-ii.html' title='Explosão II'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1540927112550201041</id><published>2008-10-22T21:58:00.000-02:00</published><updated>2008-10-22T22:00:14.072-02:00</updated><title type='text'>Explosão I</title><content type='html'>GRITAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR:&lt;br /&gt;Se necessário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1540927112550201041?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1540927112550201041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1540927112550201041&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1540927112550201041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1540927112550201041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/10/exploso-i.html' title='Explosão I'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-8375777363718537918</id><published>2008-10-12T23:14:00.000-03:00</published><updated>2008-10-12T23:28:31.788-03:00</updated><title type='text'>Presente de Aniversário</title><content type='html'>Outros Outubros virão,&lt;br /&gt;mas nenhum igual ao outro.&lt;br /&gt;esse que passou foi singular.&lt;br /&gt;Todos são assim:&lt;br /&gt;vendavais de coisas.&lt;br /&gt;Já tive vários,&lt;br /&gt;dentre os quais me lembro de alguns,&lt;br /&gt;porém não todos.&lt;br /&gt;Isso de ficar velho é inevitável,&lt;br /&gt;não imagino mas sei.&lt;br /&gt;Imaginar é difícil,&lt;br /&gt;Até para escrever tudo isso,&lt;br /&gt;imaginar é preciso.&lt;br /&gt;Mas em um respiro escrevo&lt;br /&gt;essa palavra.&lt;br /&gt;Nada de prolixidade,&lt;br /&gt;nem de inconclusões.&lt;br /&gt;Retrato de mim mesmo,&lt;br /&gt;estou me escrevendo,&lt;br /&gt;e só vim aqui para dizer-me uma coisa:&lt;br /&gt;Feliz aniversário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-8375777363718537918?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/8375777363718537918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=8375777363718537918&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8375777363718537918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8375777363718537918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/10/presente-de-aniversrio.html' title='Presente de Aniversário'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3239657724445980069</id><published>2008-10-12T23:10:00.000-03:00</published><updated>2008-10-12T23:14:12.126-03:00</updated><title type='text'>Anistia</title><content type='html'>Nunca escrevo sob encomenda.&lt;br /&gt;Meço, desmeço, é que nem desenho,&lt;br /&gt;Estou sempre a apagar palavras.&lt;br /&gt;Estavam aqui agora há pouco,&lt;br /&gt;Saíram de férias,&lt;br /&gt;Voltaram majestosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero saber quanto vai durar,&lt;br /&gt;Se ao menos vai durar.&lt;br /&gt;Mas se não durar,&lt;br /&gt;Pouco me importo,&lt;br /&gt;Pois não tenho compromisso:&lt;br /&gt;l i b e r d a d e.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3239657724445980069?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3239657724445980069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3239657724445980069&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3239657724445980069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3239657724445980069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/10/anistia.html' title='Anistia'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1076371045300350974</id><published>2008-08-30T23:15:00.002-03:00</published><updated>2009-01-29T18:46:16.726-02:00</updated><title type='text'>Finito (ou quase)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Este Blog faz aniversário no dia da Independência. Sete meses de digitações periódicas e "vai-e-vens" de dedos que arranham algumas palavras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas ele merece morrer um pouco, não que eu queira matá-lo. Na verdade eu até quero, porém para que não soe abrupto vou deixar que morra sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isso, no canto mais apertado da mala que carrego comigo há muitos anos. É que viajo para lá e para cá, nômade dentro de mim mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este é um atestado de óbito literário. Literário, que pretensão. É um óbito textuário, desses que são enterrados como indigentes. As palavras ficam, mas daqui há um tempo se vão, pelo ralo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1076371045300350974?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1076371045300350974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1076371045300350974&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1076371045300350974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1076371045300350974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/08/finito-ou-quase.html' title='Finito (ou quase)'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-688737242882128836</id><published>2008-08-22T20:19:00.000-03:00</published><updated>2008-08-22T20:24:27.329-03:00</updated><title type='text'>Lacuna</title><content type='html'>Não tenho palavra para gastar: dizer custa caro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-688737242882128836?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/688737242882128836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=688737242882128836&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/688737242882128836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/688737242882128836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/08/hoje-no-merece-nenhuma-palavra-nem.html' title='Lacuna'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6504845156193670728</id><published>2008-08-15T20:57:00.001-03:00</published><updated>2009-01-29T18:46:56.450-02:00</updated><title type='text'>Qual o sentido (?)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela: Vou embora daqui, já estou de mala pronta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele: Por mim tudo bem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela: Como assim, 'por mim tudo bem'? Olha, se eu cruzar aquela porta você não me verá mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele: Não tem problema.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela: O que está dizendo, seu estafermo? Eu não te ameaço mais, estou te dizendo.&lt;br /&gt;Ele: Pode partir, &lt;em&gt;bon voyage&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela: Sabe, eu sempre achei você muito bobo. Sorrisos demais, abraços demais, palavras exageradamente doces, cigarros mentolados de marcas horríveis, LP's das bandas mais cafonas, livros de autores decadentes - nossa, tudo muito ultrapassado.&lt;br /&gt;Ele: Pois é.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela: Não banque o fático comigo, já passamos da fase de ficar testando o canal de nossa esdrúxula comunicação. Vai, diz alguma coisa antes que eu finalmente vá daqui para nunca mais olhar esse seu semblante conformado.&lt;br /&gt;Ele: Não sei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela: O que é agora, deu para irritar? Ora, eu só posso ser maluca ou algo similar. Onde estou que já não fui daqui? É isso mesmo, chega de conversa. Quanto a você, não me procure. Estou morando na Rua 'x', apartamento 'y', esquina com a Rua do Nunca e no bairro dos Ninguéns. Ah, detesto você. Ou melhor, te odeio.&lt;br /&gt;Ele: Pode deixar, te faço uma visita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;Ela foi-se dali como quem foge de um martírio. Não tinha nome, identidade, não era nada. Não passava do imaginário dos que fantasiam e não sentem.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Onde posso encontrar minha objetividade?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6504845156193670728?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6504845156193670728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6504845156193670728&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6504845156193670728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6504845156193670728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/08/qual-o-sentido.html' title='Qual o sentido (?)'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-8727058302490806667</id><published>2008-08-13T17:13:00.001-03:00</published><updated>2009-01-29T18:39:59.406-02:00</updated><title type='text'>Retorno à rotina</title><content type='html'>Publiquei hoje,&lt;br /&gt;somente para mim,&lt;br /&gt;meu mais precioso livro.&lt;br /&gt;Relatos aleatórios,&lt;br /&gt;sobre coisa alguma,&lt;br /&gt;que eu ainda arrisco fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje também&lt;br /&gt;foi um dia apático,&lt;br /&gt;desses que começam cinzentos&lt;br /&gt;e terminam com o habitual tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas palavras&lt;br /&gt;que aqui aparecem,&lt;br /&gt;são o tempo que eu queimo,&lt;br /&gt;as horas que passam&lt;br /&gt;e o meu monólogo incansável.&lt;br /&gt;Chega.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-8727058302490806667?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/8727058302490806667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=8727058302490806667&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8727058302490806667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8727058302490806667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/08/retorno-rotina.html' title='Retorno à rotina'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6047284218059129278</id><published>2008-07-30T18:22:00.001-03:00</published><updated>2009-01-29T18:41:55.556-02:00</updated><title type='text'>Aleatório(.)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estou sem paciência, mas com papel e caneta. Na sala de estar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já faz mais de algumas horas que estou nesse lugar, hermeticamente lacrado, aprisionado, vítima do tempo e dos ponteiros do relógio. O ar está denso, deve ser aquela luz velha sustentada por um lustre do século passado. Nas paredes, um tratamento gasto e amarelado, marca de que nesse lugar não chegou a modernidade. Além disso, quadros horripilantes de uma sobriedade infernal aprofundam ainda mais o ambiente, onde eu me sinto uma bolinha de naftalina na caixa de antigüidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais horas se passam, nada de chegar alguém. Estou sentado em um sofá desconfortável, embora esteja estranhameente imóvel e não consiga me dirigir até a cadeira que foi da vovó. Porque o tempo, este é o meu dilema. Vou promover minha própria fuga, quero escapar, mas há um paradoxo que não me permite avançar: quanto mais penso em sair, mais regrido e o tempo parece me castigar com isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Castigo, é ao que estou submetido agora. Até respirar está ficando difícil. Começo a pensar coisas sem sentido, como um quadro dadaísta com as coisas saindo de seu eixo de rotação. Me sinto confuso, acho que vou desmaiar, tudo roda e em pouco tempo estarei apagando, desfalecendo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, melhor parar por aqui. Escrever pode ser difícil. Mas daqui só saio quando acabar este relato de idéias soltas. Escrever é demasiado estafante. Acabei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ponto final.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6047284218059129278?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6047284218059129278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6047284218059129278&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6047284218059129278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6047284218059129278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/07/estou-sem-pacincia-mas-com-papel-e.html' title='Aleatório(.)'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-8557134597081422195</id><published>2008-07-14T14:47:00.001-03:00</published><updated>2008-07-28T17:37:31.613-03:00</updated><title type='text'>Não fui eu, foi meu eu-lírico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje de manhã fazia muito frio, ainda faz até agora. Pensei seriamente em escrever alguma coisa aqui, mas nem tudo me interessa e esses dias até que não tem acontecido nada comigo. As pessoas já não estão tão detestáveis, eu já consigo ficar menos angustiado com as coisas, talvez isso seja a ordem natural do tempo (que passa e eu nem sinto). Porém, não significa que eu adore o que detestava antes, apenas me dei férias disso tudo. Declarei também trégua a meus pensamentos e inspirações, mas o que venho contar aqui é tão pobre que eu escrevo de mim para mim mesmo: espelho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não importa, senti hoje vontade de gritar também. Mas bem alto, alto mesmo. Vou comprar um megafone desses de passeata, quem sabe alguém me ouve do outro lado do mundo. Escutei uma música mais ou menos, meu nariz gelou atá a ponta e me senti completamente abarcado de neve. Fazia Sol, mas preferi ignorar isso e o vento me atingia como pedras de gelo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sinceramente, já me cansei de escrever aqui, mas tornou-se mecânico. Queria ser um espelho, ver tudo de um lado diferente. Mas o tempo tem pressa, passa em desvarios como albatroz à procura de um rumo. Procuro sempre fazer as coisas sem os limites do tempo, mas às vezes, como em toda relação, brigo com ele, discuto mesmo (de sair rusgas e palavras malcriadas), até que ele acaba por decidir se vingar de mim e passa muito rápido. Tão rápido que ele cismou de já ter passado quinze anos. Quinze primaveras, muitas voltas em torno do Sol. Muitos anos, muitos meses, mais dias ainda, horas e horas a fio. Em imaginar que daqui a um tempo estrei dizendo a mesma coisa. Queria poder ser luz, andar universo afora, percorrer galáxias, quem sabe eu aproveitava melhor a companhia do tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portanto, vou me transformar. De hoje em diante pretendo escrever com outro nome (tomara que eu me lembre disso). Mas se eu me esquecer, não importa, isso tudo aqui não vai além de uma gogante bola de pêlos, regurgitada e ruminada pela paciência. Pensei em adicionar uma imagem a isso tudo, mas não quero deixar nada muito pessoal. Vou-me embora neste instante, porque preciso descansar de tudo isso. Hoje não falo mais, nem gesticulo. Pretérito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-8557134597081422195?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/8557134597081422195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=8557134597081422195&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8557134597081422195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8557134597081422195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/07/reflexes-pseudo-intimistas.html' title='Não fui eu, foi meu eu-lírico'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6488074385582642006</id><published>2008-07-05T23:28:00.000-03:00</published><updated>2008-07-05T23:38:55.430-03:00</updated><title type='text'>Epígrafe</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SHAwKG0ck3I/AAAAAAAAAGw/LPRMBK7HJYY/s1600-h/Saaaanta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219724918309819250" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SHAwKG0ck3I/AAAAAAAAAGw/LPRMBK7HJYY/s320/Saaaanta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Se alguém perguntar por mim&lt;br /&gt;Diz que fui por aí&lt;br /&gt;Levando o violão embaixo do braço&lt;br /&gt;Em qualquer esquina eu paro&lt;br /&gt;Em qualquer botequim eu entro&lt;br /&gt;Se houver motivo&lt;br /&gt;É mais um samba que eu faço&lt;br /&gt;Se quiserem saber se volto&lt;br /&gt;Diga que sim&lt;br /&gt;Mas só depois que a saudade se afastar de mim"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6488074385582642006?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6488074385582642006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6488074385582642006&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6488074385582642006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6488074385582642006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/07/epgrafe.html' title='Epígrafe'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SHAwKG0ck3I/AAAAAAAAAGw/LPRMBK7HJYY/s72-c/Saaaanta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-4946839856241849569</id><published>2008-07-05T22:27:00.001-03:00</published><updated>2009-01-29T18:44:50.564-02:00</updated><title type='text'>Exílio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Paris, 31 de Outubro de 1961.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Querida titia Dorothy,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não prepare biscoitos de hortelã para mim, pois não regresso mais, isso é definitivo. Aqui faz frio, mas toma-se chá quente e o ambiente é ameno. Não agüentava mais a luta com as palavras, estava fustigado. Era uma terrível batalha, já não sabia mais o que fazer. Ficava me debatendo com elas, desgaste emocional e físico. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Desapaixonei-me pela submersão em que me deixava nelas. Noites e mais noites sem dormir, tentando concatená-las, sabe, muito difícil. Aí mais indisposições e conflitos, evito-os por aqui. Já está sendo difícil, imagine, colocá-las todas juntas, nesse discurso, pesaroso porém desbafo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;De modo algum me leve a mal, titia, mas preciso de ares renovados. Tenho que me enquadrar em algum lugar, sabe reconhecimento mútuo? Se continuasse onde estava, sucumbiria. Mas como ainda não dei chance para o fim, presenteio-me com sábia distância da ingratidão das palavras que me fogem e não deixam que eu me aproxime e as tateie (se não as tenho, sou sem rumo).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Acabo por aqui, estou cansado. Quando tiver notícias, lá vai batalha, mas mantenho-a informada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Saudações, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-4946839856241849569?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/4946839856241849569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=4946839856241849569&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/4946839856241849569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/4946839856241849569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/07/exlio.html' title='Exílio'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-2588290314621008846</id><published>2008-06-28T22:04:00.000-03:00</published><updated>2008-06-28T22:20:40.076-03:00</updated><title type='text'>Dilema</title><content type='html'>O som do surdo&lt;br /&gt;O grito do mudo&lt;br /&gt;O filme do cego&lt;br /&gt;O samba da bossa-nova&lt;br /&gt;O cheiro da água&lt;br /&gt;A música sem notas&lt;br /&gt;A viagem sem volta&lt;br /&gt;A fotografia manchada&lt;br /&gt;O céu sem nuvens&lt;br /&gt;O peso do vazio&lt;br /&gt;A multidão do deserto&lt;br /&gt;O barulho do silêncio&lt;br /&gt;O passado do indigente&lt;br /&gt;A luz da escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei todos trancados&lt;br /&gt;em um baú no fundo do armário,&lt;br /&gt;mas não sei o motivo,&lt;br /&gt;eles insistem em sair.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-2588290314621008846?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/2588290314621008846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=2588290314621008846&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2588290314621008846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/2588290314621008846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/06/dilema.html' title='Dilema'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-69061430306552334</id><published>2008-06-21T22:28:00.000-03:00</published><updated>2008-06-21T22:35:05.147-03:00</updated><title type='text'>Poema do novo literato</title><content type='html'>Alguém me vê um céu&lt;br /&gt;Desses cheios de pássaros&lt;br /&gt;Para que eu possa voar&lt;br /&gt;Longe de qualquer coisa&lt;br /&gt;Sem obstáculos,&lt;br /&gt;Impreciso.&lt;br /&gt;Alguém me vê uma saída,&lt;br /&gt;um exílio, para que eu voe para bem longe&lt;br /&gt;de palmeiras tão tristes,&lt;br /&gt;de pessoas tão mesquinhas,&lt;br /&gt;de minha Pasárgada onde não sou filho nem rei.&lt;br /&gt;Finito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-69061430306552334?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/69061430306552334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=69061430306552334&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/69061430306552334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/69061430306552334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/06/poema-do-novo-literato.html' title='Poema do novo literato'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7813925159271401471</id><published>2008-06-16T17:42:00.001-03:00</published><updated>2009-01-29T18:45:25.928-02:00</updated><title type='text'>Tendência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Me perdi na Sexta-feira. Era cinza o céu e silenciosas as ruas movimentadas. As pessoas andavam, andavam, paravam, conversavam, sorriam, reclamavam, mudavam de lugar, tudo em silêncio. Foi aí que me senti surdo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Às vezes tenho vontade de ignorar a todos. Sair por aí feito um vento de inverno, que ninguém pode desejar porque assim acaba fazendo doer os ossos. Queria também ser invisível, de modo a ficar nos lugares mais secretos ouvindo as confissões mais ilícitas. Mania de tentar ser invasivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, não irei me render a nenhuma tentativa de diálogo. Quebrei meu telefone, joguei fora meus papéis de carta, isolei-me. Não posso ser-me, serei sozinho. Vazio como uma harpa sem cordas, mas que insistentemente toca um ritmo descompassado de respiração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou deixar de escrever aleatório (promessa). Quero um tempo de vácuo, é melhor do que fazer o trajeto pensar - escrever - me arrepender. Não me comprometo com estilo, tenho um quê de sombra. Vou dar um tempo com ladainhas, pensar em uma história bem bonita para decorar meu bosque. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se essa rua, se essa rua fosse minha, eu procuraria pelo Senhor Sentido e o puxaria pela mão para perto de mim. Até quando o tempo quisesse. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7813925159271401471?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7813925159271401471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7813925159271401471&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7813925159271401471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7813925159271401471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/06/tndncia.html' title='Tendência'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1348960696904543309</id><published>2008-05-28T22:15:00.000-03:00</published><updated>2008-05-28T22:47:49.513-03:00</updated><title type='text'>Sujeito Indeterminado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Hoje acharam tudo feio. O chá não foi bom, os biscoitos estavam duros, não queriam nenhuma conversa. Pois bem, decidiram sair para ver se faziam alguma coisa, como por exemplo, visitar o relógio da praça central. Nossa, um 'belo' programa. Mas não era Domingo, então resolveram que iam parar no primeiro café da estrada, para ver se lá tinha algum livro interessante, ou talvez um capuccino estupidamente delicioso. Bem, também não encontraram. Que coisa, mas será que o dia de hoje seria assim tão inconclusivo? "Talvez não!" - eis que surge uma voz. Todos olharam para a porta, se entreolharam, tiveram um momento de silêncio (mórbido), como se pudessem ouvir, tocar, VER o silêncio. Decidiram, por fim, que seus olhares concordavam em seguir por aquela porta em busca de algo novo, talvez aprazível, quem sabe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Mas não, hoje terminou assim, com todos saindo sem mais nem menos, seguindo não sei quem para não sei onde. Acho que a minha mais profunda vontade era ser assim. Ser indeterminado, sair por aí, não ver ninguém, só o silêncio. Agora canta a cigarra, em um leve pulsar repousante, e me imagino em um bosque. Sou eles, e mais ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1348960696904543309?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1348960696904543309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1348960696904543309&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1348960696904543309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1348960696904543309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/05/sujeito-indeterminado.html' title='Sujeito Indeterminado'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-4585332823721465688</id><published>2008-05-18T12:54:00.000-03:00</published><updated>2008-05-18T13:07:21.780-03:00</updated><title type='text'>Penso, logo (nunca) existo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Uau, quanta ausência aqui. Mas dessa vez digo e repito, há muito tempo que não trago novas aqui neste lugar. Bem, não diria que agora as tenho, apenas não quero me demitir da função que tenho de entreter a mim mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;¨&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Esses dias que passaram transcorreram lentos e agonizantes. Não que viver não seja um dom, mas é que vida requer pessoas, e eu me enjôo muito facilmente delas. As poucas de quem não quero enjoar estão distantes, e mesmo assim elas cheiram à guardado em meu baú de lembranças (cuja chave guardei dentro dele).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;¨&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não sou egocêntrico, e me descrever em palavras belas e calmas seria fugaz. Preciso ser áspero e arredio, assim bem subjetivo. Meus textos são descartáveis: leia, deteste e jogue para o lado, melhor ler um livro. Mas desse teclado saem letras compulsórias, mecânicas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;¨&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;ATENÇÃO:&lt;/strong&gt; Este que aqui está não sou eu, apenas uma imagem de mim . Para aqueles que quiserem me achar, por favor me procurem no passado, meu presente está congelado. Pessoas e vozes, fotografias e músicas, estou em um momento em que apenas a ausência me faz pensar, pensar incerto, melancolia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;¨&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;É verdade. Melancolia. Encerro mais um monte de nada, espero comentário nenhum e o tempo está passando, minha velhice está próxima. Leitor (?), eu sou uma pessoa muito difícil.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-4585332823721465688?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/4585332823721465688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=4585332823721465688&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/4585332823721465688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/4585332823721465688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/05/uau-quanta-ausncia-aqui.html' title='Penso, logo (nunca) existo'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-5625090798803365148</id><published>2008-04-21T17:34:00.000-03:00</published><updated>2008-04-26T10:10:18.409-03:00</updated><title type='text'>Aleatório - Coisas do tempo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SA0AGrYtWxI/AAAAAAAAAF0/HfsK9BWxuNY/s1600-h/DoisN.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191806060153625362" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SA0AGrYtWxI/AAAAAAAAAF0/HfsK9BWxuNY/s200/DoisN.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Hoje a minha tarde foi cinza, foi zero. Não consegui me compenetrar em nada, mas lia inconscientemente. Assim fiquei até a hora do café, onde me acompanharam o pão e o leite. Gelado. Na janela, a rua passava como um vento, deserta e fria pelo feriado. Feriados: são tão cálidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei deter-me em Clarice, mas vaguei um pouco, compreendendo aquilo que estava à minha frente. Ora lia, ora parava. Olhava para a rua, os pombos de segunda à tarde são menos felizes. Eles se empuleiram e ficam ali, estáticos. Passa um segundo e somem. Não sei se meus escassos leitores notaram, mas eu tenho certa necessidade de entender aquele que não fala. Eu preciso compreender melhor o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive pensando em fazer também um filme. Mas sobre o quê? Nem mesmo enredo eu tenho. Pensei em filmar o silêncio: de repente surgiram carros na rua, ruidosos e agressivos. Ah, como eu às vezes odeio o progresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Progresso. Sempre quis resgatar valores ilhados pelo tempo. Não sei se isso é normal, mas não quero ser controlado por um chip. Pavor é meu sobrenome, e termino mais um texto inconclusivo desta maneira: FIM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imagem: Robert Doisneau, &lt;strong&gt;Les Glaneurs de Charbon, 1945&lt;/strong&gt;. Gelatin Silver Print, Signed.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-5625090798803365148?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/5625090798803365148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=5625090798803365148&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5625090798803365148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5625090798803365148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/04/aleatrio-coisas-do-tempo.html' title='Aleatório - Coisas do tempo'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SA0AGrYtWxI/AAAAAAAAAF0/HfsK9BWxuNY/s72-c/DoisN.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-887897096640124706</id><published>2008-04-18T23:06:00.000-03:00</published><updated>2008-08-23T17:11:45.333-03:00</updated><title type='text'>Le Petit</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190773671175266722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 236px; CURSOR: hand; HEIGHT: 364px; TEXT-ALIGN: center" height="341" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SAlVJuvaIaI/AAAAAAAAAFk/oOc-Lcr4Zx4/s320/Petiiit.jpg" width="234" border="0" /&gt;"Vê-se bem apenas com o coração. O essencial é invisível aos olhos."&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Antoine de Saint-Exúpery&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-887897096640124706?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/887897096640124706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=887897096640124706&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/887897096640124706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/887897096640124706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/04/v-se-bem-apenas-com-o-corao.html' title='Le Petit'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/SAlVJuvaIaI/AAAAAAAAAFk/oOc-Lcr4Zx4/s72-c/Petiiit.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6281250502485265688</id><published>2008-04-18T19:13:00.001-03:00</published><updated>2008-04-18T19:20:32.036-03:00</updated><title type='text'>Prova</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;caos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;c-a-o-s&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;CAOS.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;C-A-O-S&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Quanto vácuo tem a sua paciência?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;mine: none&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6281250502485265688?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6281250502485265688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6281250502485265688&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6281250502485265688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6281250502485265688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/04/prova.html' title='Prova'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-8373504729042665403</id><published>2008-04-11T18:37:00.000-03:00</published><updated>2009-01-06T11:37:35.057-02:00</updated><title type='text'>Sobre a Escrita</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;"Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Simplesmente não há palavras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Simplesmente as palavras do homem."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Clarice Lispector&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-8373504729042665403?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/8373504729042665403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=8373504729042665403&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8373504729042665403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/8373504729042665403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/04/sobre-escritalispector-c.html' title='Sobre a Escrita'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-5176166104130853934</id><published>2008-04-06T00:20:00.000-03:00</published><updated>2008-04-06T00:23:14.612-03:00</updated><title type='text'>Cansaço</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cansaço extremo. Tanta coisa por fazer, diversos compromissos, muito peso. Eu confesso que já fui mais resistente a esse tipo de fenômeno, mas hoje em dia sou um pouco velho, calejado. Consigo resistir a dois, três tombos, mas se (somente se) chegar ao quarto, desfaleço e não ando mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por favor, preciso de tempo/ força. Movimentos retilíneos e uniformes em direção ao sentido e à conformidade. Preciso me consternar, me retiro por uns instantes e a brisa vai levar de mim toda essa apreensão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-5176166104130853934?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/5176166104130853934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=5176166104130853934&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5176166104130853934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/5176166104130853934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/04/cansao.html' title='Cansaço'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3465752480973230704</id><published>2008-03-23T11:25:00.001-03:00</published><updated>2008-03-23T11:41:44.079-03:00</updated><title type='text'>Ponto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isso já virou um divã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, venho aqui para desabafar, talvez mude o título do Blog para "O divã das palavras soltas". Soltas. Soltura que eu quero, LIBERDADE. Voar e não controlar o fluxo do vento, sair por aí, desmaiar em brisa, esquecer que as coisas são tórridas, as pessoas sobretudo.&lt;br /&gt;Cansei de entendê-las, de amá-las. Cultivo um sentimento amargo sobre isso. Não faz bem, ou faz, não sei. Mas isso não me importa, sinceramente.&lt;br /&gt;Estou acometido por terrível dor nas costas, não sei ao certo o motivo. Nem quero saber, a mim não faz diferença. Não sou, entretanto, uma muralha. Sentir é um grande pesar: me custa muito, então me dilacero e tento ser evasivo. Estou aprendendo, as pessoas são evasivas.&lt;br /&gt;Falsa felicidade: que enjôo. Quanta palavra solta e desperdiçada. Amar, "verbo intransitivo". Amar dói, se afeiçoar dói. Assim como pensar. Para os tolos, ou os que vivem de má-fé, a ignorância é uma dádiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou passando por um tempo em que as coisas não são tão bonitas ou tão fáceis. E nem tenho tal pretensão. Mas passo uma cera nos móveis, faço um café, arrumo a casa: esqueço de tudo em um segundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3465752480973230704?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3465752480973230704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3465752480973230704&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3465752480973230704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3465752480973230704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/03/ponto.html' title='Ponto'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6386775247484076685</id><published>2008-03-19T20:33:00.000-03:00</published><updated>2008-03-19T20:45:10.844-03:00</updated><title type='text'>É preciso guardar leito (?)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ai, pensei em sair do tédio. Tédio absurdo, das profundezas do vácuo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Parei para escrever isto aqui: atrocidade. Caindo de sono, acho que vou bater com a cabeça no teclado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não, tenho de me controlar, já são quase 5 da manhã. Só mais um pouquinho e eu chego lá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Lá: me pego surpreso com a minha fugaz capacidade de prever o futuro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Extravaso, salto quanticamente, diminuo 5.10¹², como Alice no Quantum.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ó, noite, poupe-me de devaneios. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Cumpro uma rotina 'corujal'. Insônia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6386775247484076685?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6386775247484076685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6386775247484076685&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6386775247484076685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6386775247484076685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/03/preciso-guardar-leito.html' title='É preciso guardar leito (?)'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7097432589554596852</id><published>2008-03-14T18:01:00.000-03:00</published><updated>2008-03-14T18:08:06.625-03:00</updated><title type='text'>Dona Cigarrinha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ia pela estrada, faceira e vespertina, Dona Cigarrinha. Muito fina, muito doce, sorriso de ar sublime, subia pelas folhas secas - e cantava- , descia pelos viadutos formados por pequenos ramos de cipreste - e cantava- , andava a passos largos, como se tais perninhas agüentassem - e cantava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto, em um certo pedaço do trajeto, eis que surge um terrível gafanhoto, duas vezes seu tamanho, com uma cara fechada, sombrolho cerrado e a mais rancorosa feição. Em uma só abocanhada, Dona Cigarrinha foi-se embora. Silêncio na mata: felicidade interrompida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7097432589554596852?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7097432589554596852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7097432589554596852&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7097432589554596852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7097432589554596852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/03/dona-cigarrinha.html' title='Dona Cigarrinha'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-7392940722119305236</id><published>2008-03-14T17:52:00.000-03:00</published><updated>2009-01-06T11:31:54.044-02:00</updated><title type='text'>Retornando</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* Fiquei com a sensação de que era tudo muito novo, tudo muito 'não sentido'. Uma de minhas primeiras percepções foi a de estar mergulhando em um poço sem fundo, tamanho foi o meu choque perante tanta falta de receptividade. Ora, meu leitor, não entenda isso como um lamento, ou mesmo como uma tentativa de recuperação. Peço-lhe, pois, que me dê uma chance: a rotina corrói a gente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-7392940722119305236?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/7392940722119305236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=7392940722119305236&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7392940722119305236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/7392940722119305236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/03/retornando.html' title='Retornando'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-3688039279389964484</id><published>2008-02-22T10:28:00.000-03:00</published><updated>2009-01-06T11:29:34.665-02:00</updated><title type='text'>Antigo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;I)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;o&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;capitalismo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;corrói o homem&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;neoliberal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;vendida alma&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;comprável&lt;br /&gt;dinheiro&lt;br /&gt;capital&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;processo&lt;br /&gt;gradual&lt;br /&gt;de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;retrocesso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;do homem&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ff0000;"&gt;ganancioso&lt;br /&gt;dia-bólico&lt;br /&gt;mau&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000000;"&gt;(22/01/2008)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Extremo de Agonia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;As pessoas têm extrema necessidade de se sentirem acomodadas. Parece um mal comum, algo simples e sensato. Pela ótica do pragmático, o simples é acomodado, ele chega, se instala e pronto, cá estamos a fazer nada. Pois bem, eu também preciso me acomodar. Mas faço isso no incômodo. Me incomodo constantemente com o banal dos outros, mas importante para mim. Sou tambem capaz de não fazer nada e ficar de mãos atadas, ou mesmo canalizar o mal feito e o feio. Sinto muito em dizer, mas não agüento mais tanta inconstância, tantas falsas promessas. Acredito piamente no poder da sua, da minha, da nossa palavra. Mas acredito mais fortemente na verdade delas. Queria muito voltar o tempo, mas minhas pernas encurtam com o passar do mesmo. Estou rente ao chão, agora só observo. Sou sim um pedaço de coisa, a coisa representada. É como se estivesse aqui em um verdadeiro teatro, em que eu brinco de ser feliz. Felicidade fácil, comprada. Puro fato de sentir e não transmitir. Porque hoje sou nada, sou sombra de ser. Sou vórtice perante ao abismo. E me rejubilo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;(11/11/2007)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Marie&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Marie, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Esta pequena trova, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;pura e singela que escrevo a ti,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;representa a mais doce candura&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e o mais triste encanto,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;pois se não fosse por você, Marie,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O mundo não teria tantas flores,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;tantos bosques, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;tantos amores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;(26/10/2007)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-3688039279389964484?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/3688039279389964484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=3688039279389964484&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3688039279389964484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/3688039279389964484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/02/antigo.html' title='Antigo'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1320197574522059526</id><published>2008-02-22T10:19:00.000-03:00</published><updated>2008-03-14T17:28:38.840-03:00</updated><title type='text'>Regresso (trovinha)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Lá na lagoa,&lt;br /&gt;o rei era o sapo:&lt;br /&gt;Vivia coachando,&lt;br /&gt;em solene descompasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá na floresta,&lt;br /&gt;o rei era o leão:&lt;br /&gt;Caçava gazelas,&lt;br /&gt;rugia valentão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um distante palácio,&lt;br /&gt;era eu absoluto rei:&lt;br /&gt;Porém ainda não me dei conta,&lt;br /&gt;que deste sonho já regressei.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1320197574522059526?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1320197574522059526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1320197574522059526&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1320197574522059526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1320197574522059526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/02/regresso-trovinha.html' title='Regresso (trovinha)'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1197468787969160579</id><published>2008-02-17T15:28:00.000-03:00</published><updated>2008-08-13T19:00:49.577-03:00</updated><title type='text'>Poesia-imagem</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168017927219723410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/R7h87GjIPJI/AAAAAAAAACg/vx9gn_r4ZsY/s320/M%C3%A3os.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;"Mãos", por Arnaldo Antunes.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1197468787969160579?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1197468787969160579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1197468787969160579&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1197468787969160579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1197468787969160579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/02/poesia-concreta.html' title='Poesia-imagem'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/R7h87GjIPJI/AAAAAAAAACg/vx9gn_r4ZsY/s72-c/M%C3%A3os.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-6387568085600831903</id><published>2008-02-13T18:36:00.000-02:00</published><updated>2008-03-14T17:48:00.814-03:00</updated><title type='text'>Verão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Hoje acordei cedo. Tão cedo que eu mesmo estranhei estar de pé àquela hora. Levantei soturno da cama, como um gato que se espicha assustado. Caminhei até a cozinha, vi o pão, a manteiga e o café. Sentei. Pausei um momento, olhei a janela, e vi o campo que lá fora se iluminava pelo Sol. Senti-me bem, eu que em minhas manhãs costumo estar mergulhado em tédio, mas não só nelas, talvez durante o dia inteiro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Terminado o ritual exigido pela manhã, corri pela grama até o mais verdejante ponto. Lá deitei-me sem medo do calor, que era apazigüado pelo vento. Vento forte, fugaz, faceiro. As andorinhas refestelavam-se pelos ares, percorriam as árvores atrás de frutos, e furtavam-me pequenos galhinhos. Senti que era aquele o momento de me libertar, e então, como uma perdiz, lúcida e alabastrina, lancei-me ao ar, consciente de que o limite de tudo era a minha imaginação: infindável&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-6387568085600831903?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/6387568085600831903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=6387568085600831903&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6387568085600831903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/6387568085600831903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/02/vero.html' title='Verão'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-1490034729333957215</id><published>2008-02-07T21:53:00.000-02:00</published><updated>2009-01-06T11:19:10.532-02:00</updated><title type='text'>Subterfúgio e novidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos: pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira; oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas; torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes. Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;À chamada realidade. Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Somos um povo muito variado e mesmo contraditório: o que para alguns parecerá defeito é, para outros, encanto. Quem diria que tantas pessoas bem comportadas, e aparentemente elegantes e finas, alimentam, durante trezentos dias do ano, o modesto sonho de serem ursos, macacos, onças, gatos e outros bichos? Quem diria que há tantas vocações para índios e escravas gregas, neste país de letrados e de liberdade?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Por outro lado, neste chamado país subdesenvolvido, quem poderia imaginar que há tantos reis e imperadores, princesas das Mil e Uma Noites, soberanos fantásticos, banhados em esplendores que, se não são propriamente das minas de Golconda, resultam, afinal, mais caros: pois se as gemas verdadeiras têm valor por toda a vida, estas, de preço não desprezível, se destinam a durar somente algumas horas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Neste país tão avançado e liberal — segundo dizem — há milhares de corações imperiais, milhares de sonhos profundamente comprimidos mas que explodem, no Carnaval, com suas anquinhas e casacas, cartolas e coroas, mantos roçagantes (espanejemos o adjetivo), cetros, luvas e outros acessórios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Aliás, em matéria de reinados, vamos do Rei do Chumbo ao da Voz, passando pelo dos Cabritos e dos Parafusos: como se pode ver no catálogo telefônico. Temos impérios vários, príncipes, imperatrizes, princesas, em etiquetas de roupa e em rótulos de bebidas. É o nosso sonho de grandeza, a nossa compensação, a valorização que damos aos nossos próprios méritos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas...?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;"&lt;em&gt;Ved de quán poco valor&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Son las cosas tras que andamos &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;Y corremos...&lt;/em&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;dizia Jorge Manrique. E no século XV! E falando de coisas de verdade! Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Cecília Meirelles&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Texto extraído do livro "Quatro Vozes", Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 93.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-1490034729333957215?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/1490034729333957215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=1490034729333957215&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1490034729333957215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/1490034729333957215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/02/subterfgio-e-novidade.html' title='Subterfúgio e novidade'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4410266440118644356.post-526633673767708846</id><published>2008-02-07T08:55:00.001-02:00</published><updated>2009-02-02T10:37:30.684-02:00</updated><title type='text'>Tentativa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Isso aqui é, na verdade, uma tentativa (um tanto insana), de escrever pelo simples fato de escrever. Contudo, é uma coisa que  custa-me muito, posto que minhas idéias são como amigas, mas não daquelas de todas as horas: são amigas passageiras, demonstram-se vivas, morrem e renascem em momentos inesperados, mas acredito eu que estes sejam os mais oportunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, que venham todas, sem medo e angústia. Faz-se necessário todo seu apoio, para que escrever seja realmente uma necessidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4410266440118644356-526633673767708846?l=desertodapalavra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/feeds/526633673767708846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4410266440118644356&amp;postID=526633673767708846&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/526633673767708846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4410266440118644356/posts/default/526633673767708846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desertodapalavra.blogspot.com/2008/02/tentativa.html' title='Tentativa'/><author><name>Allan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02630176908445521182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Bm0nscB1G4U/TJkmZuDNqcI/AAAAAAAAAPw/sdFjISxzjQs/S220/Imagem+403.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
